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TIDAL lança política de IA e corta royalties de faixas totalmente sintéticas

  • Michele
  • 01 julho 2026, quarta-feira
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A TIDAL anunciou que, a partir de 15 de julho, vai começar a identificar as músicas criadas por IA no seu app e impedir que faixas totalmente geradas usando inteligência artificial gerem royalties.

TIDAL apresenta novas regras para músicas geradas por IA

Por muito tempo, o TIDAL não se manifestou em relação à música gerada por IA. Nesse período, muitas outras plataformas de streaming já tinham deixado clara sua posição. O Deezer, por exemplo, foi a primeira plataforma a identificar faixas totalmente geradas por IA e impedir que elas gerassem ganhos, enquanto plataformas como o Qobuz compartilharam recentemente suas medidas para proteger artistas e ouvintes.

Agora o TIDAL finalmente definiu como vai tratar a música gerada por IA. A plataforma faz questão de dizer que não se opõe à tecnologia. O problema é outro. Suas caixas de entrada estão lotadas de faixas inteiramente produzidas por IA, que imitam artistas reais com um só objetivo: lucrar em cima deles.

"Estamos comprometidos em proteger e recompensar a criatividade orgânica, para não prejudicar a capacidade dos artistas de se conectarem com o público e conquistarem fãs entre os usuários do Tidal. Muitos assinantes nos disseram que não querem ser expostos a [...] música inteiramente gerada por IA", afirma a plataforma em um post no blog.

O que a política de IA do TIDAL inclui?

Na prática, como funciona a política de IA do Tidal? Para começar, a plataforma vai sinalizar no app toda música inteiramente criada usando inteligência artificial. Quando uma faixa desse tipo for identificada, o ouvinte verá um selo ao lado dela.

Além disso, o Tidal vai remover quaisquer lançamentos gerados por IA que tentem se passar por artistas ou grupos, ou que facilitem atividades fraudulentas. A plataforma diz que vai usar ferramentas de detecção automatizadas para remover esses lançamentos assim que forem identificados.

Por fim, músicas 100% criadas por IA não gerarão royalties nem poderão ser vendidas diretamente para os fãs. A plataforma também revela que vai continuar atualizando sua política de IA à medida que a tecnologia evoluir.

Usuários reagem positivamente, mas ainda há dúvidas

O anúncio teve uma resposta positiva entre muitos usuários. No Reddit, alguém escreveu: “O Tidal mandou muito bem. Estou de saco cheio de ver música gerada por IA por toda parte, enquanto músicos de verdade mal conseguem se sustentar”. Esse sentimento é compartilhado por muitos no tópico.

No entanto, nem todo mundo está convencido de que a política seja suficiente. Um usuário que aprovou a decisão em linhas gerais disse torcer para que o TIDAL, mais adiante, ofereça a opção de ocultar por completo as faixas feitas por IA.

Outra pessoa apontou uma possível brecha na política: “Termos como ‘inteiramente’ e ‘100% gerada por IA’ deixam margem para interpretação. E se for 95% gerada por IA? E se você criar uma música com IA e sobrepuser a sua própria interpretação no triângulo ao fundo? Tecnicamente, essa faixa pode ser monetizada e não terá o selo.”

É uma pergunta válida e que está no centro de boa parte do debate sobre música e IA. Até onde vai a música apenas assistida por IA e a partir de que ponto ela passa a ser inteiramente gerada pela máquina? E como impedir que pessoas mal-intencionadas se aproveitem dessas brechas?

Por enquanto, a política do TIDAL se concentra principalmente em proteger os artistas contra falsificação de identidade e impedir que músicas totalmente geradas por IA sejam remuneradas. Ou seja, essas questões mais amplas dificilmente serão abordadas tão cedo. Mesmo assim, a reação é majoritariamente favorável a proteções mais robustas para os artistas, e à limitação do espaço para os lançamentos criados por IA.

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Michele
Michele

Com atuação em redação e jornalismo, experiência em produção e começando a explorar as pickups, Michele vive em Berlim e ama a música nas suas mais variadas formas: do soulful house, groovy techno e jungle/drum & bass ao rock alternativo, dark wave e muito mais. Seus temas de interesse incluem cultura club, curadoria e descoberta musical, dança e os efeitos da música sobre a percepção e o sentimento. Michele escreve em inglês.

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