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Artistas em Destaque

LEGS

  • 01 dezembro 2025, segunda-feira
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A LEGS, que vem conquistando um merecido espaço no cenário da música eletrônica, é um selo, um centro de treinamento e uma plataforma de colaboração criada por e para artistas FLINTA. Nascida da popularidade da Move Ur Gambettes, um coletivo dedicado à formação acessível de DJs com sede na França, a equipe expandiu sua missão para apoiar novos produtores, do workshop ao lançamento de suas primeiras faixas.

Neste Label Spotlight, conversamos com Leah e Bernadette sobre como a LEGS surgiu, os sons que compõe seu catálogo e os espaços que elas estão criando para que artistas sub-representados experimentem, cresçam e se façam ouvir.

iM: Oi, pessoal da LEGS! Podem se apresentar e contar o que vocês fazem?

Bernadette: meu nome é Bernadette e, há cinco anos, fundei o coletivo Move Ur Gambettes, que oferece a pessoas FLINTA acesso gratuito a aulas de DJ. No ano passado, lancei dois novos programas de treinamento com foco em composição e produção musical, e o selo LEGS, que ajuda as artistas que apoiamos a lançar suas primeiras faixas. Atualmente, a equipe é formada por nove artistas, DJs e/ou compositoras, que dedicam seu tempo voluntariamente para garantir o bom andamento das sessões de treinamento, dos workshops e da gestão do selo.

Leah: eu sou a Leah e faço parte da equipe da LEGS desde o ano passado. Participo da organização do programa de acompanhamento de artistas deste ano. Mais especificamente, ajudo com as inscrições, confirmo o local e o palestrante convidado para os workshops de produção musical da MAO, acompanho as sessões presencialmente e, claro, faço a curadoria da playlist da iMusician "Bass for Breakfast".

iM: O que inspirou você a criar um selo a partir do Move Ur Gambettes?

Bernadette: o Move Ur Gambettes nasceu da necessidade urgente de criar espaços mais inclusivos na cena dos DJs, onde sempre houve problemas de exclusão. Com workshops e programas gratuitos para quem se identifica como FLINTA, queríamos tornar o DJing mais acessível e dar mais confiança às participantes, mostrando que elas também merecem comandar as pickups.

Ao longo dessa experiência, sentimos que faltava algo essencial. Muitas pessoas sabiam tocar, mas poucas ousavam começar a produzir música, seja por falta de cursos disponíveis ou de referências. A LEGS nasceu disso, da vontade de ir além e acompanhar as artistas durante todo o processo, da criação à distribuição.

iM: Que tipo de som você descreveria como a cara do catálogo da LEGS?

Leah: nosso selo tem como base a bass music dançante. A ideia foi deixar o espaço o mais aberto possível e contemplar diferentes perfis artísticos, mas o que une tudo é a bass music, os broken beats, essas coisas que não se encaixam nos contextos mais mainstream.

Bernadette: a energia do selo vem da força crua e genuína dos primeiros sons que essas artistas criam, uma sinceridade sem filtro que aparece muito no início de qualquer trajetória criativa. Para mim, essa honestidade está na raiz da identidade da gravadora.

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iM: Que espaços você espera que seus lançamentos criem para artistas sub-representadas?

Bernadette: com a LEGS, queremos abrir espaços em que artistas FLINTA possam criar sem precisar se encaixar em um molde predefinido. Cada álbum é um projeto colaborativo que amplifica as vozes, as emoções e a identidade criativa de cada uma

Além da música, esperamos estimular conversas sobre o lugar das mulheres e das pessoas queer nas cenas eletrônicas, questões que passam pela transmissão de conhecimento, precariedade e solidariedade.

Crédito: Clara De Latour

iM: Como foi lançar seu primeiro trabalho pela LEGS?

Leah: foi incrível! Me diverti demais durante o programa no ano passado. Conheci artistas adoráveis e cheias de talento com quem compartilhava não só interesses musicais, mas também valores. Todo mundo era gentil, humilde, motivado e com vontade de aprender umas com as outras. Era um ambiente profundamente seguro e solidário para trabalhar.

Estou muito feliz com a faixa que fiz para a nossa primeira compilação e orgulhosa do trabalho de todas as minhas amigas. É um álbum único e, embora seja definitivamente eclético, todas as faixas se conversam, o que não é nada fácil!

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