Para as mulheres, construir uma carreira na música muitas vezes significa trabalhar em uma indústria que nem sempre oferece a visibilidade ou as oportunidades que elas merecem. Mesmo assim, muitas seguem traçando o próprio destino e lançando suas músicas por conta própria, construindo comunidades e redefinindo o significado de sucesso.
Para explorar essas histórias, conversamos com algumas artistas distribuídas pela iMusician sobre suas experiências, os desafios que enfrentaram e suas trajetórias como profissionais independentes.
Quebrando barreiras
As mulheres vêm conquistando mais visibilidade e reconhecimento na música. Não foi fácil, mas vemos avanços importantes em diferentes estilos musicais, funções e áreas do negócio.
Em 1933, Florence Price se tornou a primeira mulher negra a ter uma sinfonia executada por uma grande orquestra. Em 1947, Miriam Abramson estava entre os fundadores da Atlantic Records, um dos selos mais influentes da música atual.
O reconhecimento delas também cresceu com o tempo. Em 1959, Ella Fitzgerald foi a primeira artista negra a ganhar um Grammy. Mais tarde, em 1987, Aretha Franklin chegou ao Rock and Roll Hall of Fame antes de qualquer outra mulher.
Esses são alguns exemplos do último século que mostram o quanto avançamos e o quanto essas barreiras ainda deixaram marcas.
Hoje, uma nova geração de mulheres constrói carreiras, forma identidades criativas e faz música nos próprios termos. Artistas como Billie Eilish e Taylor Swift são a prova disso, quebrando recordes e mostrando que o sucesso na indústria musical pode ter muitas formas.
Confira nossas artistas que também representam esse movimento.
1. Sana
Para a rapper finlandesa Sana, a música é tanto uma válvula de escape quanto uma forma de resistência. Sem medo de falar abertamente sobre experiências difíceis, ela usa a música para abordar temas como bullying, conflitos pessoais e abuso de substâncias. Com elementos de rap, pop e rock, Sana construiu um som que reflete essa intensidade emocional. Apenas quatro anos depois de concorrer no X Factor Finland, em 2018, ela abria o show do 50 Cent na turnê pelo país. No início de 2026, colaborou com o clube AC Oulu para criar a canção oficial da torcida "Pohjoisen voima", aproximando ainda mais seu trabalho da comunidade local.
Por que Sana?
Sana transforma sua experiência de vida em música com uma honestidade sem igual, criando uma forte conexão com quem passa por situações parecidas. Ao abordar temas como bullying e abuso de substâncias, ela afirma sua identidade com a coragem típica de quem constrói o próprio caminho na música hoje.
Conte um pouco da sua trajetória como artista independente. O que você aprendeu que mudou a forma como trabalha?
Faço parte da cena musical desde 2005, mas o álcool atrapalhou muito minha vida e minha carreira até eu ficar sóbria em 2015. Em 2017, comecei a levar a música a sério e não parei mais.
Colaborar com pessoas diferentes me abriu para novas formas de fazer música e me fez aprender com o processo de cada uma delas. Aprendi também a manter os pés no chão, mesmo sonhando alto, e a nunca me descuidar do público. É por causa dele que tenho uma carreira e faço shows.
Quais os pontos positivos e negativos de ser uma artista independente?
O maior desafio é chegar a novos ouvintes sem um grande orçamento de marketing. Sonho em ter músicas nas rádios e me apresentar em festivais importantes, mas como artista independente, isso ainda parece longe. Trabalho em outras coisas para bancar a minha música, então conciliar tempo e dinheiro é sempre um exercício. Mesmo assim, as pequenas conquistas, os projetos que me empolgam e as colaborações me fazem não desistir. Adoro me apresentar, adoro o contato com o público, e quero fazer cada vez mais apresentações, especialmente porque eu e minhas dançarinas desenvolvemos um show muito vibrante.
Como é para você trilhar seu próprio caminho na música?
Eu tenho a sensação que que meu primeiro grande hit vai acontecer ainda esse ano. Uma das minhas demos está absolutamente incrível. Torçam por mim.
Tenho composto muito ultimamente e estou animada com o que vem por aí. Sinto que encontrei as pessoas certas, com quem é divertido e gratificante criar. Espero que um público maior me descubra.
Quais artistas mais influenciaram sua visão criativa e por quê?
Eu sempre cito a Mariska como minha principal referência. Ela é uma cantora e compositora talentosa que construiu uma carreira longa e bem-sucedida e abriu caminho para as rappers na Finlândia numa época em que havia muito poucas. Foi ela quem me inspirou a começar a lançar meus raps em 2005. Sofri muito bullying depois disso, mas a música me ajudou a superar esse trauma e eu nunca desisti. Mais de 20 anos depois, aqui estou eu, criando e e fazendo meus shows.
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2. Candice Kipre
Com uma identidade musical muito própria, Candice Kipre mistura pop parisiense e indie rock britânico, com toques de chanson tradicional francêsa. Conhecida por sua voz levemente rouca e cheia de sensibilidade, ela combina melodias envolventes com letras que equilibram força e vulnerabilidade. O single "Louis", de 2025, veio acompanhado de um videoclipe, e a faixa mais recente, "Pourquoi", foi lançada em dezembro do mesmo ano.
Por que Candice Kipre?
A disposição de seguir as próprias ambições atravessa a música e a história de Candice, com a convicção de que sonhos nunca devem ser abandonados. Nas composições, ela cria personagens inspirados em encontros e histórias reais para explorar o amor, os relacionamentos e os sentimentos. Sua música celebra a vulnerabilidade e a coragem de se abrir para o mundo, construindo um universo pop intimista e emocionalmente ressonante.
Conte um pouco da sua trajetória como artista independente. O que você aprendeu que mudou a forma como trabalha?
Logo de cara eu percebi que ninguém se importa de verdade com os meus sonhos, então posso sonhar o quanto eu quiser. Parei de levar minha existência tão a sério a ponto de deixar o medo do fracasso guiar minhas decisões. Foi isso que me permitiu começar a compartilhar minha arte sem pensar demais. Da música, não espero nada. Mas, pra ela, dou tudo de mim.
Quais os pontos positivos e negativos de ser uma artista independente?
O que me deu força foi saber que, com as redes sociais, eu tinha tudo o que precisava para compartilhar meu mundo. Sinto que estou muito perto de viver algo que pode ser enorme, mas acredito que isso depende um pouco da sorte, mas acima de tudo de mim, da minha coragem e da minha disciplina. O desafio é que, quando você é independente, ninguém espera nada de você. Você só pode contar com a sua força de vontade para não desistir. E é exatamente isso que torna cada conquista ainda mais importante.
Como é para você trilhar seu próprio caminho na música?
Agora parece muito com aquela coisa de "tentativa e erro". E eu espero que continue assim. Sigo a minha intuição e meus instintos mais profundos. Na maioria das vezes, eles me fazem dizer sim e encarar as oportunidades que mais me assustam.
É um processo de autoconhecimento pela música, pelos encontros com pessoas e pelas experiências artísticas que eu crio e vivo.
Quais artistas mais influenciaram sua visão criativa e por quê?
Duas artistas influenciaram demais a minha relação com a música.
A primeira foi Amy Winehouse, que uma vez disse que fazia a música que ela mesma queria ouvir. Essa frase ajuda a conter meu impulso de ficar estudando o mercado sem parar e me reconecta ao instinto de criar do jeito que vem, algo que é vital e necessário pra mim.
Lady Gaga é outra grande inspiração, por sua disciplina e pela forma como ela transforma toda apresentação em algo espetacular. Ela me inspira porque não esconde seu lado mais obscuro.
Cada vez mais, tento combinar instinto e disciplina para me tornar a melhor versão de mim mesma. É um equilíbrio a encontrar, um exercício bonito que sinto que minha música e meu público merecem.
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3. FEMMEMEUF
Formada em 2022, a FEMMEMEUF começou como um grupo de amigas fazendo música no apartamento que dividiam. O que era uma jam session despretensiosa logo migrou para os estúdios de ensaio e, depois, para os palcos de toda a Suíça. A banda ganhou reputação rapidamente por suas apresentações ao vivo cheias de energia. No início de 2026, elas lançaram o EP de estreia Hurt but Hot, uma coleção de músicas inspiradas nas próprias experiências, com batidas marcantes, riffs de guitarra e ricas harmonias vocais. A banda também recebeu o prêmio de Melhor Música no Kick Ass Awards da Radio 3fach e foi selecionada para a categoria Pop na Demotape Clinic do m4music.
Por que a FEMMEMEUF?
A música da FEMMEMEUF carrega uma energia muito própria. A amizade entre as integrantes está no centro do processo criativo, e esse vínculo se reflete claramente no som que elas fazem, dos ritmos contagiantes às afinadas harmonias vocais. A história delas mostra que colaboração, amizade e uma paixão compartilhada podem abrir caminhos na indústria musical.
Contem um pouco da trajetória de vocês como banda independente. O que vocês aprenderam que mudou a forma como trabalham?
Tivemos muita sorte porque recebemos muitos convites para tocar ao vivo e participar de projetos criativos. As pessoas se empolgam quando surge uma banda nova, e isso nos encorajou a nos expor mais. A recepção foi muito boa. Uma coisa que aprendemos é que todas nós fazemos música paralelamente a outras coisas, por isso, nossa capacidade é limitada. Às vezes, recusar uma oportunidade é a decisão certa.
Quais os pontos positivos e negativos de ser uma banda independente?
Definitivamente subestimamos o trabalho burocrático que vem com a gestão da banda e o lançamento de um EP. Em alguns momentos, as discussões sobre agenda e tarefas tomavam os ensaios inteiros, sobrando pouco tempo para tocar, quanto mais para criar algo novo. Acabamos percebendo a importância de reservar um tempo só para fazermos música juntas. Do contrário, é fácil esquecer o quanto é divertido estar em uma banda e por que começamos tudo isso.
Como é trilhar o próprio caminho na música?
Às vezes bate a tentação de ficar calculando cada passo, pensando se precisamos fazer as coisas de um jeito ou num momento específico para não perder oportunidades. Quando isso acontece, é importante parar e lembrar que estamos aqui pela diversão, e só por ela.
Quais artistas mais influenciaram a visão criativa de vocês e por quê?
Não é segredo que somos fãs de carteirinha do Wet Leg. É o tipo de direção criativa com a qual todas nós concordamos. Fora isso, os gostos variam bastante, e dependendo de quem traz uma ideia, as referências vão de Biig Piig a Wolf Alice, Black Sea Dahu, Manic Pixxies, Teen Jesus, The Jean Teasers… A lista é longa.
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4. Yenne
Yenne é uma artista francesa que vem do metal mas não se limita ao gênero. Dona de uma voz com timbre e extensão como poucas, seu som mistura rock e pop com influências mais pesadas, sem perder a conexão com as raízes francesas. Em 2020, ela lançou "Feed the Demon", seu single de estreia, que acumula quase dois milhões de reproduções no Spotify.
Por que Yenne?
A música de Yenne transita entre gêneros com naturalidade e carrega uma intensidade impressionante. A faixa "Piece of Me" é um bom exemplo disso. Como uma artista que compõe, interpreta e produz o próprio trabalho, ela prova que é possível criar um som com identidade e ter sucesso sem abrir mão da visão criativa.
Conte um pouco da sua trajetória como artista independente. O que você aprendeu que mudou a forma como trabalha?
Eu faço música há 20 anos. Há seis surgiu a Yenne, e foi quando eu passei a conduzir deliberadamente a minha carreira. A paixão ganhou uma camada de estratégia. Ser independente me ensinou a dura lição de que talento não basta. A indústria funciona com dinheiro, posicionamento e consistência. Você pode ter a melhor música do mundo, mas se ninguém a escuta, ela não existe. Então parei de esperar ser "descoberta".
Aprendi a produzir, mixar, montar meu próprio sistema de palco, rodar anúncios, entender os algoritmos, criar visuais e entender como funciona a retenção de público. Encaro isso como arte e engenharia ao mesmo tempo. Outra lição essencial: controle sua narrativa. Se você não se define, a indústria te coloca na caixa mais fácil de vender. Ser uma artista independente me forçou a buscar precisão, tanto emocional quanto estratégica.
Quais os pontos positivos e negativos de ser uma artista independente?
O maior ponto positivo é o controle. Não preciso pedir permissão para experimentar. Posso mandar um gutural no breakdown, lançar sons pesados, soltar algo mais emocional, postar um vídeo sem edição do celular ao lado de um clipe cinematográfico. Essa liberdade não tem preço. O desafio é a realidade financeira. Para crescer, você precisa de um selo que funcione como banco ou se tornar seu próprio banco. E isso é exaustivo.
Tem momentos em que você percebe que a indústria recompensa a capacidade de investimento tanto quanto a visão artística. Isso desanima. Mas prefiro construir algo autoral do que ter sucesso como produto de outra pessoa.
Como é trilhar seu próprio caminho na música?
Agora, tem a ver com detalhes. Estou refinando os shows ao vivo, a identidade visual e as estratégias de lançamento. Quero criar sistemas que cresçam comigo, com redundância na estrutura dos shows, autonomia nos lançamentos e branding consistente em todas as plataformas.
É também uma questão de resiliência. Já tive momentos virais com mais de 600 mil visualizações no TikTok e venho obtendo bons números no Spotify, com taxas de salvamento sólidas. Mas não estou atrás de viralidade, estou construindo longevidade. Criar o próprio caminho é jogar no longo prazo, mesmo sendo um processo lento, caro e solitário.
Quais artistas mais influenciaram sua visão criativa e por quê?
Hayley Williams, pela intensidade emocional com um tremendo controle técnico. Ela mostrou que dá para ser vulnerável e poderosa ao mesmo tempo. Billie Eilish, por redefinir o minimalismo e provar que o clima, às vezes, fala muito mais do que o volume.
Dolores O'Riordan, por aquela identidade vocal crua, quase assombrosa. Não há ninguém que soe como ela. E toda mulher que decidiu não pegar leve para ser mais palatável. Porque influência é isso: nunca pedir licença para ser ousada.
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5. ANIKK
A artista suíça ANIKK se destaca pela capacidade de transformar sentimentos e emoções pessoais em uma música que toca profundamente a audiência. Desde que começou em 2023, ela vem desenvolvendo um som pop característico, que ultimamente explora a música eletrônica, misturando elementos de EDM, house e UK garage. Seu single mais recente, "Echoes", dá um gostinho desse universo sonoro em evolução. ANIKK também começa a deixar suas primeiras marcas no cenário internacional, tendo aberto shows de artistas como Sophie Ellis-Bextor e Sophie and the Giants.
Por que ANIKK?
ANIKK surgiu como uma das vozes pop mais promissoras da cena suíça, e a energia cativante que ela traz tanto nas gravações quanto no palco tem muito a ver com isso. Ela não esconde as emoções em suas composições extremamente sinceras, e é exatamente isso que puxa o ouvinte para dentro de seu mundo.
Conte um pouco da sua trajetória como artista independente. O que você aprendeu que mudou a forma como trabalha?
Tem muita gente envolvida nessa indústria, são muitas opiniões, talentos e vozes que tentam te influenciar, às vezes de um jeito ruim. A lição mais importante que aprendi foi seguir o que parece certo para mim e confiar nesse sentimento. Se algo parece errado, você precisa ser honesta consigo mesma e estar disposta a mudar. Isso pode significar encerrar certas relações ou trocar de equipe até encontrar as pessoas que realmente te apoiam. Talvez demore, mas o segredo é não parar. No fim, quando você constrói o círculo certo ao seu redor, vira como uma família.
Quais os pontos positivos e negativos de ser uma artista independente?
Para mim, o melhor é ter boas pessoas ao meu redor, que compartilham a minha visão. Elas me ajudam a me tornar quem quero ser, uma versão melhor e mais verdadeira de mim mesma. Acreditam em mim e me ajudam a criar meu próprio universo sonoro. Ao mesmo tempo, também são muito críticas e têm uma mentalidade extremamente voltada a resultados. Acredito que esse tipo de ambiente seja o caminho para crescer.
Um dos maiores desafios, com certeza, é como a indústria funciona. Você pode se esforçar ao máximo, mas no fim o sucesso muitas vezes está atrelado à quanto você consegue investir ou ao seu desempenho nas redes sociais. Isso é muito frustrante.
Como é trilhar seu próprio caminho na música?
No momento é colocar todo o meu foco e energia no meu som. Meu dia a dia gira em torno de ir atrás de viver essa paixão, o que me leva a ter que abrir mão de algumas coisas, mas sinto que esse é o meu propósito. Quero continuar vivendo isso enquanto me fizer feliz.
Quais artistas mais influenciaram sua visão criativa e por quê?
Sou fã há muito tempo da Tash Sultana. Ela é incrivelmente autêntica, cria seu próprio universo sonoro e tem um talento absurdo. Eu também tenho acompanhado bastante o trabalho de artistas como a Lyrah. Adoro a energia das músicas dela e como ela combina a leveza da voz com batidas contagiantes. A Loreen também é uma das minhas maiores inspirações. A voz e a presença dela são magnéticas. É uma energia muito especial.
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6. LOULIA
Loulia é uma artista francesa radicada em Berlim que mescla soul sensual, R&B alternativo e jazz, trazendo um estilo cinematográfico muito próprio. A música dela explora o lado mais obscuro da experiência feminina, o empoderamento e o amadurecimento, tudo envolto em uma estética retrô que une charme vintage e toques de modernidade. No palco, ela cria experiências imersivas com vocais ao vivo, interações lúdicas com o público e uma forte presença narrativa, elementos que desenvolveu ao longo de seus anos de formação musical na Coreia do Sul. Em 2024, a artista participou do The Voice da Alemanha, chegando às semifinais. Seu próximo lançamento, "I Still Slay", celebra o amadurecimento com uma boa dose de sarcasmo.
Por que Loulia?
A trajetória de Loulia até aqui reflete um processo contínuo de exploração e autoconhecimento. Todas as suas experiências, que incluem o The Voice, os estudos de música, a participação na cena do K-pop na Coreia do Sul e a mudança para Berlim, contribuíram para definir sua identidade artística singular. Sua história também destaca o quanto sair da zona de conforto contribui para o crescimento pessoal e criativo.
Conte um pouco da sua trajetória como artista independente. O que você aprendeu que mudou a forma como trabalha?
Quando estava em Seul, onde estudei música, comecei a me apresentar em programas de TV e a fazer shows. Nesse período, meu foco era principalmente desenvolver habilidades técnicas em composição e melhorar meu desempenho em apresentações ao vivo e no estúdio.
Eu era abordada por canais de televisão e casas de shows o tempo todo, mas nem sempre me sentia segura para negociar o cachê, talvez eu me achasse nova demais para pedir o que merecia. Só depois de voltar para a Europa, há cinco anos, que passei a me dedicar à produção dos meus shows, à gestão, à promoção e à construção da minha marca.
Começar minha carreira na Coreia me mostrou o quanto a indústria pode ser exigente e implacável. Isso me levou a buscar um equilíbrio entre a autenticidade artística e lado comercial da música. E também me ensinou a separar o trabalho da minha vida pessoal.
Quais os pontos positivos e negativos de ser uma artista independente?
Ser independente às vezes significa acumular funções demais, o que acaba desviando o foco da criatividade, pois as questões comerciais consomem muito tempo e energia. Mas, por outro lado, foi isso que me ensinou que tudo bem cobrar pelo meu trabalho, especialmente depois de investir tanto tempo desenvolvendo a minha arte. As reuniões com gravadoras e agentes trouxeram a experiência de cuidar pessoalmente da minha carreira, me ajudando a entender melhor o que espero dessas relações e a conduzi-las com mais cuidado.
Também é muito bom ser exatamente a artista que eu criei. Ter controle sobre o que lanço traz uma grande liberdade, algo que valorizo demais, principalmente depois de trabalhar sob contrato.
Como é trilhar seu próprio caminho na música?
É me cercar de músicos, produtores e criativos com quem tenho uma sintonia genuína, que respeitam minha visão e compartilham seu conhecimento comigo. Estou tentando construir uma rede baseada em confiança e um espaço seguro para criarmos a melhor arte possível juntos. Dedico muito tempo a refletir, pesquisar e conversar com meu público e com outros artistas, para me manter alinhada com o que considero autêntico. E claro, tem muito trabalho de mandar e-mails e falar com produtores correndo atrás de shows, porque é no palco que a gente se diverte de verdade.
Quais artistas mais influenciaram sua visão criativa e por quê?
A RAYE me impressiona demais. Me identifico com ela musicalmente, mas também admiro o quanto ela trabalha e o conhecimento que construiu sem abrir mão da confiança nas próprias habilidades. Para mim, ela representa a essência da música independente.
O sucesso de Cynthia Erivo também é algo fantástico, sobretudo pelo leque de habilidades e experiências que ela traz para o seu trabalho. E claro, me inspiro em artistas como YEBBA, Olivia Dean e Rosalía, cada uma com um universo artístico tão distinto e ainda assim tão presentes, curiosas e sempre se reinventando.
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Conclusão
Os avanços conquistados pelas mulheres na música ao longo do último século abriram portas que antes pareciam intransponíveis. Hoje, artistas como as apresentadas neste artigo dão continuidade a esse legado, construindo suas carreiras e identidades artísticas com autonomia e transitando sem medo entre os gêneros musicais.
Suas histórias mostram que o progresso neste setor não se mede apenas por recordes e prêmios, mas também pela liberdade de inventar, experimentar e se fazer ouvir. Dessa forma, elas extrapolam os limites do que se pode imaginar para o futuro da música, mostrando que as mulheres podem definir seus próprios caminhos e criar novas possibilidades para as gerações que estão por vir.