Skip to main content

Mais flexibilidade. Preços reduzidos. ✨Descubra as novidades das nossas assinaturas! 👀 Saiba mais

Todos os artigos do blog

Deezer e a igualdade de gênero na música: iniciativas que capacitam as mulheres

Compartilhar artigo no
Skip to section:

Nas plataformas de streaming, as músicas feitas por mulheres ainda acumulam menos reproduções do que as de artistas homens, como analisamos no artigo sobre o programa EQUAL do Spotify. O foco dessa vez é a Deezer, serviço europeu que tem reforçado seu posicionamento de diversidade e inclusão. A empresa desenvolve diferentes iniciativas para apoiar as mulheres em todo o seu ecossistema.

Confira como a Deezer incentiva a igualdade de gênero na música por meio da curadoria editorial e de políticas internas de diversidade, e como essas iniciativas podem ampliar as oportunidades para as artistas independentes na plataforma.

O papel das plataformas no avanço da igualdade de gênero na música

O crescimento das plataformas de streaming nos últimos anos deixou claro que elas oferecem mais do que grandes catálogos de música ou novas formas de ouvir. Elas também influenciam como o público descobre artistas e quem ganha visibilidade ao longo do tempo.

Esse poder se manifesta nas decisões editoriais e nos sistemas de recomendação. A equipe editorial define o que aparece na página inicial, quais músicas entram em playlists de mood e quais artistas recebem apoio em campanhas. Essas escolhas influenciam diretamente quais vozes chegam ao público. As recomendações algorítmicas ampliam ainda mais esse efeito.

Apesar dessa influência, o setor tem sido historicamente lento em reconhecer as implicações estruturais do poder das plataformas. Playlists especiais no mês das mães ou relatórios publicados no Dia Internacional da Mulher acabavam funcionando mais como gestos simbólicos do que como respostas a um problema sistêmico.

Nos últimos anos, serviços de streaming e artistas passaram a defender algo mais duradouro: a igualdade como parte da estrutura das plataformas, e não apenas como tema de campanhas sazonais. Quando algoritmos e curadorias editoriais passam a destacar sempre o mesmo grupo de vozes, isso cria um ciclo difícil de quebrar. Mais reproduções geram mais visibilidade nas recomendações, o que leva a ainda mais reproduções. Para artistas que começam com menos exposição, seja por gênero, localização, recursos de gravadora ou simplesmente pela concorrência, entrar nessa dinâmica é muito mais difícil.

Estudos mostram a importância das decisões editoriais para enfrentar esse desequilíbrio. Uma pesquisa da YouGov de 2024 constatou que as mulheres têm 20% mais probabilidade do que os homens de descobrir novas músicas por meio de playlists selecionadas em vez de feeds algorítmicos, mostrando que a curadoria editorial pode ser mais do que um gesto simbólico e funcionar como uma forma efetiva de ampliar a visibilidade de artistas mulheres.

Portanto, abordar a desigualdade de gênero no streaming requer mais do que campanhas publicitárias. Mudanças estruturais nas práticas editoriais, nos sistemas algorítmicos e na cultura institucional são necessárias para combater os vieses que há muito tempo existem nesse setor.

Como uma plataforma que opera em mais de 180 países e preza pela qualidade artística e da curadoria humana, a Deezer tem um interesse especial nessas discussões. Nos últimos anos, a empresa criou uma série de programas, alguns voltados para o público, outros internos, que juntos formam uma das estratégias de igualdade de gênero mais abrangentes nesse mercado.

Principais iniciativas da Deezer para mulheres

O canal "Women's Impact"

Motivados pelos dados que mostravam que apenas 23% dos artistas no Top 100 da plataforma eram mulheres (número 1% menor em relação a 2020), em março de 2023, a Deezer lançou o canal “Women’s Impact”, apresentado como um recurso editorial permanente.

O objetivo da iniciativa era criar um espaço editorial perene para as artistas na interface da Deezer, não apenas durante as semanas de conscientização. O canal aparece ao lado dos canais organizados por gênero ou mood. Assim, faixas de mulheres passaram a fazer parte da curadoria editorial da plataforma ao longo de todo o ano.

Rankings dedicados às mulheres

Um dos movimentos mais significativos da Deezer aconteceu em março de 2025, quando a plataforma apresentou o Women Chart, um ranking com as faixas de mulheres mais tocadas. A lista é atualizada mensalmente e, no início, destacava as 50 músicas de artistas mulheres mais executadas na França, na Alemanha, no Brasil, na Argentina, no Chile, no México e na Colômbia. Em 6 de março de 2026, comemorando o primeiro aniversário do projeto, a Deezer expandiu o Women's Chart para outros mercados, incluindo a Sérvia, a Bulgária, a Holanda, a Dinamarca, a Croácia e a Polônia.

A lógica da iniciativa é simples. Quando homens dominam as paradas musicais dos streamings, isso acaba reforçando escolhas editoriais e algorítmicas que priorizam esses nomes. Ao criar um ranking dedicado às mulheres, a Deezer dá destaque a essas músicas na plataforma em um formato claro e de um jeito consistente. Esses dados também ajudam a orientar decisões editoriais, estratégias de gravadoras e ações de promoção.

"Ter listas dedicadas às mulheres é uma maneira de representá-las com mais justiça e oferecer aos ouvintes uma imagem mais verdadeira do papel delas na indústria musical", explicou Narjes Bahhar, editor de Rap & R&B da Deezer e líder do projeto Women Chart.

Campanhas do Dia Internacional da Mulher

Além de iniciativas permanentes, a Deezer também aproveita o Dia Internacional da Mulher para destacar as criadoras na plataforma. Com o tempo, essas ações deixaram de se limitar a campanhas de conscientização e passaram a integrar uma programação mais estruturada.

Em 2018, a Deezer dedicou toda a página inicial da plataforma à campanha #BalanceforBetter, promovendo músicas, podcasts e audiolivros criados por mulheres como forma de apoiar a igualdade de gênero.

Em 2022, a plataforma criou um filtro de mood no Flow chamado "100% Mulheres" e um conjunto de playlists especiais, como a "Vozes Femininas" e a "100% Ícones". A equipe de Relações com Artistas da Deezer descreveu essas playlists como "ferramentas para aumentar a visibilidade feminina no sistema de recomendação da plataforma e ajudar as artistas a obter mais exposição".

Com o tempo, essas campanhas ganharam uma abordagem mais estruturada e baseada em dados. A promoção das artistas passou a vir acompanhada de relatórios com métricas de representação de gênero, tonando o que antes era uma celebração superficial, um debate sustentado por números da indústria.

Programa interno de diversidade, equidade e inclusão

Além das iniciativas no aplicativo, a Deezer também começou a rever suas estruturas e práticas internas. A plataforma assinou o Tech for Good Call, uma iniciativa lançada pelo governo francês que estabelece a meta de 30% de mulheres em cargos técnicos até 2030 para as organizações participantes. A empresa também lançou a campanha "Fight Bias", com o objetivo de aumentar a conscientização sobre microagressões no ambiente de trabalho, além de programas de formação para gestores e uma iniciativa que incentiva os colaboradores do sexo masculino a atuar como aliados na promoção da diversidade.

Outra iniciativa dentro desse esforço é a parceria com a ADA Tech School, instituição de formação dedicada a ampliar a participação de mulheres em carreiras tecnológicas. Em uma empresa de streaming, a igualdade de gênero não depende apenas dos artistas na plataforma, mas também de quem cria a tecnologia, desenvolve os algoritmos e define a estratégia editorial nos bastidores.

Deez’HER Coding Camp

Uma parte importante desses esforços é o Deez’HER Coding Camp, um programa de mentoria e formação conduzido pelas desenvolvedoras da empresa. A iniciativa apresenta carreiras em programação e tecnologia a alunas do ensino médio, por meio de workshops e atividades práticas.

Ao aproximar as estudantes de funções técnicas da tecnologia musical, o programa também busca atrair mais mulheres para áreas como desenvolvimento de software e engenharia. Hoje, são essas áreas que definem como a música circula e gera receita.

Transparência de dados e padrões de reprodução

A transparência de dados também tem um papel fundamental na promoção da igualdade de gênero no streaming. A Deezer passou a incorporar dados de reprodução à sua estratégia, usando essas informações para alimentar o debate público e incentivar reflexão entre os ouvintes.

No fim de 2025, o serviço lançou o “My Deezer Month”, um recurso que mostra aos usuários a porcentagem de suas reproduções mensais dedicadas a mulheres. A proposta é levar os ouvintes a observarem os próprios hábitos e o impacto que eles têm na visibilidade das artistas. Em vez de simplesmente pedir às pessoas que ouçam mais mulheres, a plataforma mostrou os dados e deixou que tirassem suas próprias conclusões.

A Deezer também passou a usar relatórios do setor em sua estratégia de equidade de gênero. O relatório Deezer Women in Music Streaming 2025 mostra um avanço: as mulheres agora representam cerca de 30% dos artistas mais ouvidos na plataforma, contra 25% em 2023. A análise por gênero musical mostra maior presença de mulheres no R&B, no alternativo e no pop. Neste último, elas aparecem em 42% das músicas mais ouvidas. Em gêneros como música eletrônica e metal, porém, os homens ainda predominam.

Em fevereiro de 2026, as mulheres respondiam por 27% do tempo de reprodução na Deezer, apenas um ponto percentual acima de setembro de 2025. No período, Lady Gaga, Taylor Swift e Billie Eilish lideravam as paradas globais.

A publicação dessas métricas não é só marketing. Ao estabelecer um parâmetro e atualizar os dados ao longo do tempo, a Deezer cria um registro público da evolução desses indicadores. Jornalistas, pesquisadores e organizações da sociedade civil podem recorrer a essas informações para avaliar o impacto da plataforma. A iniciativa também mostra que a representação de gênero é tratada internamente como uma métrica de desempenho, e não apenas como discurso institucional.

Parcerias em apoio às mulheres na música

Como nenhuma plataforma de streaming atua isoladamente, o trabalho da Deezer pela equidade de gênero também avançou por meio de colaborações externas.

Essa jornada também envolve organizações como a Keychange, movimento global apoiado pelo programa Creative Europe, da União Europeia, que atua pela igualdade de gênero na indústria musical. A Keychange reúne mais de 750 organizações musicais comprometidas com a igualdade de gênero. A iniciativa apoia mulheres e outras identidades de gênero sub-representadas por meio de treinamento, mentoria e conexões profissionais, além de conferências e oportunidades de se apresentar em festivais parceiros.

Outro exemplo é a Shesaid.so, uma comunidade global que conecta mulheres da música, da tecnologia e de outras áreas criativas para ampliar oportunidades profissionais. A Deezer também colabora com a Women in Music, organização sem fins lucrativos dedicada a promover a igualdade e ampliar oportunidades para mulheres nas artes musicais, que hoje conta com mais de 25 núcleos ao redor do mundo. O foco da organização é a educação, o suporte, o empoderamento e o reconhecimento das mulheres em todos os setores da indústria musical.

Como tem sede na Europa, a Deezer está naturalmente próxima dessas organizações, muitas das quais têm raízes profundas na cena musical francesa e europeia. A Deezer também colabora com festivais e parceiros de programação, levando em conta o gênero dos artistas na seleção dos lineups. Romain Bahhar, diretor editorial global da Deezer, observa que a plataforma precisa ter consciência do impacto de suas escolhas “seja na seleção de capas, na curadoria artística dos eventos que realizamos ou na forma como promovemos nossos parceiros”.

Essas parcerias são importantes porque conectam as iniciativas da plataforma a mudanças estruturais que nenhuma empresa consegue promover sozinha. As decisões editoriais da Deezer têm mais impacto quando caminham junto com iniciativas do setor e com organizações que também defendem a igualdade de gênero na indústria musical.

Como as iniciativas da Deezer beneficiam as artistas independentes

Para as artistas independentes, a visibilidade é uma das moedas mais valiosas na cultura do streaming, especialmente para aquelas que não contam com grandes orçamentos de promoção ou a base de fãs de músicos estabelecidos no mercado. Esses programas podem apresentá-las a públicos aos quais dificilmente chegariam por conta própria.

Várias iniciativas de igualdade de gênero da Deezer criam oportunidades para as artistas independentes ganharem exposição e alcançarem novos públicos.

1. Pitching de playlists editoriais

Um dos caminhos mais rápidos para ganhar visibilidade é o pitching de playlists editoriais. A equipe da Deezer também faz a curadoria de várias playlists femininas, como Women of R&B, Women of Pop e Women of Rap. Esses são alguns dos espaços editoriais para os quais as artistas independentes podem enviar suas músicas para avaliação.

Essas playlists também criam ambientes mais específicos para os lançamentos. Em vez de competir com todas as novidades da plataforma, as artistas podem posicionar seus novos trabalhos em curadorias onde a presença feminina é priorizada.

Artistas que distribuem suas músicas por meio de serviços como a iMusician podem usar a ferramenta de pitching editorial para aumentar suas chances de chegar aos curadores da Deezer e conquistar espaço nas playlists dessa e de outras grandes plataformas de streaming.

2. Inclusão em playlists e crescimento nas reproduções

Entrar em uma playlist pode aumentar significativamente o número de reproduções. Quando uma faixa aparece em uma playlist editorial, ela pode chegar a dezenas de milhares, às vezes até centenas de milhares de ouvintes que provavelmente não conheceriam o artista de outra forma.

Para uma artista independente, entrar em uma playlist de destaque pode mudar completamente o resultado de um lançamento. Uma faixa que teria 2 mil reproduções pode chegar a 200 mil. No modelo de remuneração com foco no artista da Deezer , que valoriza as músicas que os ouvintes realmente escutam, essas reproduções se convertem em receita para a artista.

3. Exposição internacional

Outro fator importante é a presença geográfica da Deezer. Embora algumas plataformas de streaming tenham uma influência particularmente forte nos Estados Unidos, a Deezer mantém bases de usuários significativas em mercados como França, Brasil, Alemanha e vários países do Oriente Médio e da África. Para artistas independentes, esse alcance global pode levar a oportunidades de descoberta em várias regiões. Uma artista apresentada no ecossistema editorial da Deezer pode ganhar força em mercados onde a influência editorial da plataforma e o envolvimento do usuário permanecem fortes.

Iniciativas como o Women Chart, que acompanha o desempenho no streaming em vários mercados internacionais, mostram como as artistas vêm se destacando em diferentes países.

4. Descoberta contínua

Nem todos os benefícios do suporte editorial são imediatos. Em muitos casos, o resultado mais valioso é a capacidade de descoberta a longo prazo. As faixas incluídas em playlists temáticas ou baseadas em gêneros musicais geralmente permanecem acessíveis muito tempo depois da janela de lançamento inicial. À medida que os ouvintes navegam pelas playlists, pesquisam artistas semelhantes ou encontram recomendações na plataforma, essas faixas podem continuar a ressurgir.

Para as artistas independentes, a infraestrutura editorial da Deezer promove oportunidades contínuas de descoberta, em vez de apenas picos na semana de lançamento, permitindo que a música continue chegando a novos ouvintes ao longo do tempo.

Limitações das iniciativas da Deezer

Reconhecer o valor das iniciativas da Deezer não significa ignorar suas limitações. Embora a plataforma tenha implementado vários programas para melhorar a representação, a dimensão do desequilíbrio de gênero na indústria musical é tão grande que nenhum streaming é capaz de resolver o problema sozinho.

1. O risco de criar uma vitrine à parte

O Women Chart é uma iniciativa importante que traz dados relevantes, mas ainda não oferece uma solução para o problema principal. Ele apenas compara o desempenho das mulheres entre si, enquanto os rankings principais continuam dominados por homens.

Se uma artista chega ao primeiro lugar na Women Chart, mas não aparece nem perto do Top 50 global, o que isso realmente muda na cultura dominante?

Existe o risco de que as artistas acabem relegadas às listas de mulheres, em vez de ganhar espaço nos rankings principais. O objetivo final é que elas dominem os rankings gerais, não apenas espaços específicos.

2. Curadoria editorial não muda a lógica dos algoritmos

Como discutimos detalhadamente no artigo sobre o programa EQUAL do Spotify, embora a curadoria humana seja valiosa, ela trabalha contra uma força muito maior. Os mecanismos de recomendação algorítmica geram uma parte considerável das reproduções nas principais plataformas de streaming. Esses sistemas são treinados com base nos dados de execuções anteriores dos usuários, o que faz com que os padrões de desigualdade continuem se repetindo.

Uma playlist editorial pode apresentar ao ouvinte uma nova artista, mas não consegue alterar os milhares de micro-sinais que o mecanismo de recomendação usa para decidir o que será tocado em seguida. O problema é estrutural. Quanto mais uma música é ouvida, mais os algoritmos a recomendam. E quanto mais ela é recomendada, mais ela é executada. É um ciclo vicioso. A curadoria editorial às vezes consegue remediar esse problema, mas não muda o funcionamento do sistema.

3. O progresso é lento

Os dados da Deezer revelam algum avanço, mas o ritmo ainda é lento. Hoje, mulheres representam cerca de 30% dos artistas mais ouvidos na plataforma. Em 2023, eram 25%. Mesmo assim, elas respondem por apenas de 26% a 27% do total de reproduções. Os números mostram uma evolução, mas também deixam claro que a igualdade ainda está longe.

Mesmo que a participação feminina continue crescendo um ou dois pontos percentuais por ano, ainda falta muito para chegar a um equilíbrio. Individualmente, esses pequenos avanços podem parecer um progresso, mas eles não são suficientes para mudar quem domina a visibilidade.

4. As plataformas não podem resolver os problemas da indústria

O desafio mais complexo é também o mais óbvio: o streaming está no fim da cadeia da produção musical. Quando uma música chega à equipe editorial da Deezer, quase tudo já foi decidido. A escolha do artista, a produção da faixa, o trabalho de estúdio, a gestão da carreira, a circulação em festivais, a programação no rádio. E a desigualdade de gênero está presente em cada uma dessas etapas.

Menos de 5% dos produtores e engenheiros por trás dos grandes hits são mulheres ou pessoas não binárias. Nos festivais, as mulheres quase nunca aparecem como atrações principais. Elas também seguem sub-representadas nas contratações feitas pelos grandes grupos da indústria. As plataformas de streaming podem influenciar a visibilidade na fase de descoberta, mas não conseguem resolver os problemas ignorados desde o início do processo. Para uma artista independente que nunca assinou com um selo, nunca recebeu crédito de composição e nunca teve espaço em um palco principal, aparecer em uma playlist dificilmente será suficiente para fazer sua carreira deslanchar.

Nada disso tira o mérito do que a Deezer vem fazendo. As iniciativas são importantes e caminham na direção certa. Mas, sozinhas, não resolvem. O problema começa muito antes. Na escolha de quem ganha contrato, no estúdio, na escalação dos festivais, nas decisões das gravadoras. O streaming só entra no fim da cadeia, quando a música já chegou aos ouvintes.

Conclusão

A desigualdade de gênero na música ainda está longe de ser resolvida. Mudar esse quadro depende da indústria inteira. Plataformas de streaming, gravadoras, organizações do setor e os próprios artistas precisam fazer parte desse movimento.

Iniciativas como as da Deezer mostram que o streaming pode ir além de simplesmente "tocar músicas". As plataformas também podem promover a representação. Quando combinam curadoria editorial, transparência de dados, programas de formação e parcerias com organizações do setor, ajudam a abrir caminhos para que mais mulheres se desenvolvam e ganhem espaço na indústria musical.

Ainda há muitos desafios pela frente, mas iniciativas como essas indicam uma mudança gradual na forma como as plataformas de streaming lidam com sua influência cultural. Em vez de se limitarem a reproduzir músicas, serviços como a Deezer começam a reconhecer o peso que têm na construção de uma indústria musical mais diversa e inclusiva.

Se quiser saber mais sobre igualdade de gênero na música, vale ler nossos artigos sobre as mulheres na música clássica e as artistas que estão transformando a música eletrônica.

FAQs

A desigualdade de gênero no streaming é estrutural: as mulheres têm muito menos visibilidade e ganham menos do que seus colegas homens. Em fevereiro de 2026, elas respondiam por apenas 27% das reproduções totais na Deezer. Mesmo com algum avanço recente, elas ainda representam só 30% dos artistas mais ouvidos da plataforma.

A Deezer emprega uma estratégia em várias camadas para lidar com o preconceito de gênero por meio de mudanças editoriais e estruturais:

  • O canal Women's Impact: um espaço editorial permanente, durante todo o ano, lançado em março de 2023 para apresentar conteúdo liderado por mulheres.

  • The Women Chart: um ranking mensal lançado em março de 2025 que acompanha as 50 melhores faixas de mulheres em 13 mercados globais.

  • My Deezer Month: recurso de transparência lançado no final de 2025 que permite aos usuários ver a porcentagem exata de mulheres em seu histórico pessoal de reprodução.

  • Deez'HER Coding Camp: um programa de mentoria criado para aumentar a representação feminina na tecnologia musical e na engenharia de software.

Pesquisas indicam que a curadoria feita por pessoas é uma ferramenta importante para enfrentar o viés de gênero presente nos sistemas automatizados. Um levantamento da YouGov, publicado em 2024, mostrou que mulheres têm 20% mais chance do que homens de descobrir músicas novas por meio de playlists editoriais, em vez de depender de recomendações algorítmicas, que muitas vezes acabam perpetuando as desigualdades.

A representação varia bastante por gênero, de acordo com o relatório Deezer Women in Music Streaming 2025:

  • Pop: mostra um equilíbrio mais forte, com mulheres representando 42% das músicas com melhor desempenho.

  • R&B e Alternativa: também apresentam representação feminina acima da média.

  • Eletrônica e metal: continuam sendo os gêneros mais dominados por homens, mostrando progresso mais lento em direção à paridade de gênero.

Embora as iniciativas das plataformas sejam úteis, elas enfrentam obstáculos estruturais:

  • Preconceito algorítmico: os mecanismos de recomendação geralmente são treinados com base em dados históricos que favorecem os artistas do sexo masculino, criando um ciclo de feedback que se reforça automaticamente.

  • Ausência na produção: as mulheres representam menos de 5% dos produtores e engenheiros de grandes sucessos, mostrando que a disparidade começa antes mesmo de a música chegar a uma plataforma de streaming.

  • Visibilidade paralela: os rankings dedicados podem isolar as mulheres em uma "vitrine" separada, em vez de integrá-las ao Top 50 global do mainstream.

Conheça nossas assinaturas com um visual totalmente novo!

Ainda mais flexibilidade com preços mais baixos!

Saiba mais
Compartilhar artigo no
Martina
Martina

Martina é uma jornalista musical e especialista em conteúdo digital, baseada em Berlim. Começou a tocar violino aos seis anos e passou uma década imersa na música clássica. Hoje, escreve sobre tudo relacionado à música, com interesse especial pelas complexidades da indústria musical e das plataformas de streaming, e em formas de promover uma remuneração justa para os artistas.

Newsletter iMusician

Tudo que você precisa. Tudo em um só lugar.

Receba dicas sobre como ter sucesso como artista, receba descontos para distribuição de música e as últimas notícias da iMusician diretamente na sua caixa de entrada! Tudo que você precisa para crescer sua carreira musical.