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EQUAL: como o Spotify apoia as mulheres na música

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Nos últimos anos, o debate sobre a igualdade ganhou força na indústria musical global e levou a mudanças em selos, festivais e plataformas de streaming. Em 2021, em resposta à crescente pressão por maior representatividade de gênero na música, o Spotify lançou o EQUAL, um programa global criado para ampliar a visibilidade das artistas, compositoras e produtoras.

Este artigo examina o que é o EQUAL, o que a iniciativa já alcançou, suas limitações e o que ele representa para as artistas independentes em uma indústria ainda tão desigual.

Resumo rápido

  • O EQUAL é uma iniciativa global do Spotify lançada em 2021 para ampliar a visibilidade das artistas por meio de playlists, programas de embaixadoras e ações de marketing.

  • As mulheres ainda representam menos de um quarto das reproduções totais no streaming, o que evidencia uma desigualdade persistente no consumo da música.

  • Embora o EQUAL tenha ampliado a presença editorial dessas artistas, as desigualdades algorítmicas e estruturais persistem no streaming.

  • Para as artistas independentes, um pitch estratégico, metadados precisos e engajamento com o público são fatores fundamentais para transformar visibilidade em crescimento sustentável.

Desigualdade de gênero no streaming de música

O desequilíbrio de gênero fica evidente de várias formas na indústria musical, como na escalação dos festivais, nas indicações ao Grammy e nos créditos de produção. Nas plataformas de streaming, ele aparece nos dados, basta observar o que as pessoas ouvem e como funcionam os sistemas de recomendação.

No centro dessa dinâmica está o que pesquisadores e analistas chamam de "lacuna de gênero", uma diferença nos padrões de consumo em que artistas homens concentram mais reproduções em praticamente todos os grupos de ouvintes, enquanto artistas mulheres tendem a ter um público majoritariamente feminino. Com o domínio do streaming sob demanda sobre o consumo de música, esses padrões também passam a influenciar financeiramente a indústria.

Dados reunidos pelo Every Noise at Once, site interativo criado pelo ex-engenheiro de dados do Spotify Glenn McDonald, ajudam a revelar padrões no comportamento dos ouvintes.

Quando os usuários escolhem ativamente o que ouvir, apenas cerca de 23,1% das faixas selecionadas são de mulheres ou de projetos com homens e mulheres. Esse mesmo número, 23,1%, também corresponde à participação dessas artistas no total de reproduções. Em outras palavras, menos de um quarto das músicas executadas são de mulheres.

O detalhamento demográfico é ainda mais revelador:

  • Entre ouvintes homens, apenas 19,2% das reproduções são de mulheres ou de projetos com homens e mulheres.

  • Entre ouvintes mulheres, essa proporção sobe para 31,9%.

Essa diferença mostra que artistas homens atraem público de vários perfis, enquanto as mulheres costumam atrair um público majoritariamente feminino.

Exposição editorial e exposição algorítmica

Como o Every Noise at Once também mostra, quando os ouvintes reproduzem playlists editoriais do Spotify, a proporção de faixas de mulheres sobe para 23,2%. Isso representa um aumento de apenas 0,1 ponto percentual em relação a quando o próprio usuário escolhe o que ouvir. O dado indica que a curadoria editorial, sozinha, não é capaz de reduzir significativamente essa diferença.

Nas recomendações geradas por algoritmo, a diferença é ainda maior. Playlists geradas automaticamente, como a Descobertas da Semana e a Radar de Novidades, respondem por uma parcela relevante das reproduções em plataformas como o Spotify. Esses sistemas se baseiam no histórico de reprodução de cada usuário para sugerir músicas, e é justamente nesse processo que o viés estrutural pode aparecer.

Segundo o Every Noise at Once, quando os ouvintes escutam suas playlists personalizadas Descobertas da Semana, apenas 19,7% das faixas são de mulheres. Esse número é 3,4 pontos percentuais menor do que quando os usuários escolhem a música por conta própria.

O padrão é confirmado por descobertas acadêmicas. Um estudo de 2021 intitulado "Break the Loop: Gender Imbalance in Music Recommenders", de Andrés Ferraro, Xavier Serra e Christine Bauer, analisou dados de audição de aproximadamente 330 mil usuários durante nove anos. Ao testar um algoritmo padrão de recomendação de música, o estudo revelou que:

  • A primeira faixa recomendada sempre era de um homem

  • Na maior parte das vezes, as seis recomendações seguintes também eram masculinas

  • Os usuários geralmente tinham que esperar até a sétima ou oitava sugestão para encontrar uma mulher.

Aqui na iMusician, ficamos curiosos para comparar como funcionam as recomendações algorítmicas nas diferentes plataformas de streaming. Então, fizemos um pequeno teste com Spotify, Tidal, YouTube e SoundCloud. O objetivo não era produzir um estudo científico, apenas ter uma ideia de como esses sistemas se comportam. Em apenas um caso, na Daylist do Spotify, duas mulheres apareceram em uma das sete primeiras posições, ocupando o terceiro e o quarto lugar. Nos demais, elas só entraram a partir da oitava posição.

Isso é um padrão estrutural. Os algoritmos são treinados com base no comportamento de reprodução, que por sua vez reflete desequilíbrios de gênero acumulados ao longo do tempo. No fim, o resultado é um ciclo que se retroalimenta:

  • As mulheres aparecem menos nas recomendações → geram menos reproduções → produzem sinais de engajamento mais fracos → o algoritmo as recomenda ainda menos. Sem uma intervenção deliberada, esse desequilíbrio tende a aumentar com o tempo.

No streaming, a visibilidade não ajuda apenas a acumular reproduções, ela também abre novas oportunidades para os músicos. Quando um artista entra em uma grande playlist editorial, o impacto vai além das execuções imediatas. Se a música gera engajamento, ela pode aparecer em recomendações personalizadas, nas Rádios de Artistas e nas notificações do Radar de Novidades. Quando o algoritmo começa a impulsionar a faixa, a exposição cresce automaticamente em diferentes países e entre novos públicos.

Os dados de receita também ajudam a entender essa disparidade. A participação de mulheres entre os artistas que ganham mais de US$ 1 milhão por ano no Spotify subiu de 14% em 2017 para 18% em 2024. É um avanço, mas ainda significa que mais de quatro em cada cinco artistas nessa faixa de receita são homens, em uma indústria em que as mulheres representam cerca da metade do público e uma parcela cada vez maior dos artistas.

Hoje, as plataformas de streaming são fundamentais para o crescimento de uma carreira musical. Se os padrões de reprodução e os sistemas de recomendação continuam refletindo desigualdades históricas, essas diferenças acabam se traduzindo diretamente nos resultados financeiros dos artistas.

Programas como o EQUAL, do Spotify, surgem como uma tentativa de enfrentar essas desigualdades e dar mais visibilidade a mulheres na música em todo o mundo.

O que é o Spotify EQUAL?

O Spotify EQUAL é uma iniciativa global criada para promover a igualdade de gênero na indústria musical. Lançado em março de 2021, no Dia Internacional da Mulher, o programa foi pensado para funcionar o ano inteiro, como um esforço contínuo para ampliar a visibilidade das mulheres na música.

A iniciativa surgiu depois que o próprio Spotify identificou um desequilíbrio claro em seus dados: na época, apenas uma em cada cinco artistas entre os mais ouvidos era mulher. A missão do EQUAL é enfrentar essa disparidade ampliando a presença das artistas, compositoras e produtoras em suas playlists editoriais, campanhas de marketing, parcerias comerciais e ações ao vivo.

Desde seu lançamento, o Spotify EQUAL se expandiu para 184 mercados. Hoje, é uma das maiores iniciativas de igualdade de gênero no streaming de música.

O EQUAL funciona por meio de várias ações conectadas:

  • Playlists globais e locais do programa

  • Embaixadoras do mês

  • Campanhas de marketing fora do Spotify

  • Parcerias com organizações dedicadas à igualdade de gênero na indústria criativa

O programa faz parte da estratégia do Spotify para a diversidade, a igualdade e a inclusão, que também inclui iniciativas de apoio a criadores negros (RADAR e Frequency), a artistas LGBTQ+ (programa Pride) e a artistas emergentes de mercados sub-representados.

Como o ecossistema EQUAL funciona

O Spotify EQUAL reúne várias iniciativas conectadas que buscam ampliar a visibilidade das mulheres na plataforma. A seguir, explicaremos como cada uma deals funciona.

A playlist global EQUAL

A playlist global EQUAL é a principal iniciativa do programa e a mais popular entre os ouvintes. Atualizada todos os meses, ela reúne mulheres da cena musical de diferentes mercados do Spotify. A embaixadora do mês recebe a capa da playlist e aparece nas primeiras posições.

Uma das características dessa playlist é a diversidade de gêneros musicais. Em vez de se concentrar apenas no pop, onde as mulheres já têm uma presença relativamente forte entre as mais ouvidas, ela inclui intencionalmente artistas de hip-hop, música eletrônica, jazz, folk, música clássica e gêneros regionais com menos exposição no streaming.

Por estar disponível em todos os mercados do Spotify, a playlist apresenta essas artistas a públicos muito além de seus territórios e bases de fãs atuais.

Playlists EQUAL locais e regionais

O Spotify também mantém playlists específicas para seus diferentes mercados, como a EQUAL France, a EQUAL Africa, a EQUAL UK & Ireland e a EQUAL Latin. No lançamento, a plataforma criou 35 playlists EQUAL locais, abrangendo artistas de mais de 50 países. No segundo aniversário do programa, esse número subiu para 40 playlists.

Essas coletâneas regionais foram criadas para refletir as culturas locais e tornar o conteúdo mais relevante. Elas seguem o princípio de que uma mulher construindo carreira em Lagos, Seul, São Paulo ou Berlim atua dentro de contextos culturais, linguísticos e de mercado distintos, que uma curadoria global não consegue refletir adequadamente.

O EQUAL destaca talentos regionais junto com nomes reconhecidos internacionalmente, evitando uma narrativa ocidental sobre como a música feita por mulheres "deveria" ser. Em vez disso, o programa se concentra nos ecossistemas da musica local, onde as artistas podem desenvolver suas carreiras de forma consistente desde o início.

Embaixadora sdo mês

Talvez a iniciativa de mais destaque dentro do Spotify EQUAL seja a de Embaixadoras do Mês. Mensalmente, as equipes editoriais globais e locais do Spotify escolhem uma ou mais artistas para ocupar o posto de EQUAL Ambassador. A embaixadora ocupa a capa da playlist global ou local correspondente, aparece em banners promocionais dentro do app, é destaque na história da playlist e ganha divulgação nas redes sociais e na mídia do Spotify.

A seleção das embaixadoras é intencionalmente diversa, colocando nomes internacionais como Jorja Smith e Avril Lavigne ao lado de artistas regionais em ascensão. Isso demonstra que o programa foi pensado para beneficiar artistas em todos os estágios de suas carreiras e atuando em diferentes mercados.

Muito mais que playlists

O que diferencia o EQUAL de playlists convencionais é que ele funciona como um ecossistema de marketing e promoção, e não apenas como meras coleções de faixas.

Marketing e ativação fora da plataforma

No marketing, o Spotify usa o EQUAL como base para campanhas de grande escala fora do app. As artistas do programa já apareceram em outdoors em cidades como Nova York e Londres, expandindo a presença do EQUAL para além do ambiente digital e invadindo os espaços públicos.

Esse tipo de divulgação na mídia é incomum nas iniciativas dos streamings e oferece às artistas uma exposição que extrapola seus perfis no Spotify.

O Spotify promove ativamente o conteúdo do EQUAL em suas redes sociais, por meio de entrevistas com as artistas, stories, bastidores, vídeos gravados pelas próprias embaixadoras e ações ligadas a eventos como o Dia Internacional da Mulher. Essas ações buscam alcançar públicos que, de outra forma, dificilmente acessariam as playlists de descoberta de certos gêneros.

Parcerias e suporte institucional

O EQUAL também estabeleceu parcerias importantes com organizações que atuam na promoção da equidade de gênero, como UN Women, Calling All Crows, She Is The Music, Girls Make Beats, entre outras.

No lançamento do programa, o Spotify criou o EQUAL Board, formado por 15 organizações de diferentes partes do mundo. Elas se juntaram à iniciativa para trabalhar com parceiros em ações de mentoria, desenvolvimento de carreira e fortalecimento de comunidades para mulheres na música.

Infraestrutura ao vivo e ativações globais

O EQUAL também ganhou uma estrutura para eventos ao vivo. Em 2022, o Spotify realizou o primeiro EQUAL Fest em Bogotá, na Colômbia, com um line-up totalmente feminino, reunindo 13 artistas de diferentes gêneros musicais. Em 2023, um segundo EQUAL Fest aconteceu em Madrid.

Até 2024, o programa já havia realizado 15 ativações em cidades como Buenos Aires, Tóquio, Paris e Sydney, reunindo mais de 30 mil pessoas. Além dos shows, os eventos incluíram debates, residências em estúdios, sessões de networking e participação em grandes encontros da indústria criativa, como o SXSW.

O Spotify também se uniu à Billboard para o Women in Music. Foi a primeira colaboração da plataforma com o evento e ajudou a promover o EQUAL entre os profissionais da música, evitando limitar o programa apenas ao público consumidor.

O EQUAL causou algum impacto?

Com base nas evidências disponíveis, a resposta é sim, mas com ressalvas. Há pontos que precisam ser discutidos.

Métricas da plataforma

As métricas controladas pelo Spotify, como reproduções em playlists editoriais, descobertas de artistas e inclusões em playlists de usuários, mostram resultados impressionantes.

Indicadores da indústria musical

Os indicadores da indústria mostram avanços graduais, embora seja difícil atribuir esse movimento diretamente ao EQUAL.

Ainda assim, pesquisas da USC Annenberg, bastante usadas como referência no setor, citam o EQUAL como uma das iniciativas que vêm contribuindo para o aumento da presença feminina entre os artistas mais ouvidos.

Depoimentos das artistas e impacto na carreira

Artistas que participaram do programa de embaixadoras dizem que a experiência trouxe resultados reais para suas carreiras. Muitas descrevem o programa como um ponto de virada em suas trajetórias, especialmente onde a indústria musical ainda não oferece apoio suficiente para mulheres.

Esses relatos vêm das próprias artistas, mas refletem o que já sabemos sobre o impacto das playlists editoriais nas carreiras.

Visibilidade no curto prazo e mudanças estruturais

Ganhos de visibilidade no curto prazo não significam mudança estrutural. No EQUAL, a dinâmica é mensal, com uma embaixadora por mês, atualização da playlist e ações nas redes sociais. Para a maioria das artistas, o programa ainda é uma realidade distante, mais aspiracional do que uma oportunidade real.

Não dá para dizer se o EQUAL está construindo uma base sólida para a carreira das artistas ou apenas dando visibilidade recorrente a um grupo pequeno que se renova. O Spotify não responde isso com clareza em seus relatórios. Além disso, a discrepância entre a exposição e a receita ainda é grande.

Mesmo sendo mais ouvidas e com maior presença nas playlists editoriais, as mulheres ainda aparecem pouco nos créditos de composição e na produção, além de receber menos royalties. Mais reproduções não garantem maior controle criativo nem uma divisão mais justa dos ganhos.

Limitações das iniciativas de equidade baseadas em playlists

Avaliar o EQUAL com seriedade passa por reconhecer os limites de um programa baseado em playlists, mesmo quando conduzido por uma plataforma com a influência do Spotify.

1. Transparência e critérios de seleção

Uma das críticas recorrentes ao EQUAL é a falta de transparência. O Spotify não divulga com clareza os critérios de escolha das embaixadoras, nem explica em detalhe como as playlists do programa são definidas ou como o impacto de longo prazo é medido para além dos números gerais de desempenho.

Profissionais da indústria que trabalham com artistas independentes frequentemente questionam se existe um caminho claro para entrar no EQUAL, sobretudo para quem não tem conexões nem o apoio de selo. Embora a empresa afirme que as decisões editoriais são independentes, a falta de critérios claros gera desconfiança, especialmente em um ecossistema que favorece grandes gravadoras e empresas estabelecidas que já têm relação com as equipes editoriais do Spotify.

2. O viés algorítmico persiste

O problema do viés algorítmico também segue sem resposta dentro do EQUAL, já que o programa se baseia principalmente em playlists editoriais e não interfere no funcionamento das recomendações automáticas, como as Descobertas da Semana, as Rádios de Artistas e o autoplay.

Pesquisas mostram consistentemente que esses sistemas recomendam menos mulheres do que deveriam, considerando o volume de faixas disponíveis. Uma playlist editorial mensal, por mais bem feita que seja, não muda essa lógica. No máximo, a curadoria humana corrige esse viés por um tempo, em interferir funcionamento do algoritmo.

3. Escala e escopo

Até 2024, o EQUAL já havia promovido mais de mil embaixadoras ao longo de quatro anos. Em termos absolutos, é um número relevante, mas que perde força quando colocado em perspectiva, afinal são milhões de mulheres a lançar músicas todos os anos.

Mesmo considerando as artistas presentes nas playlists EQUAL locais que não são embaixadoras, o alcance das ações de divulgação do programa ainda é limitado.

Representação não muda a distribuição de poder

Entrar em playlists pode aumentar a visibilidade, mas não garante pagamento justo, igualdade no estúdio, créditos de produção, participação nos royalties ou acesso a cargos de decisão.

Dados da USC Annenberg Inclusion Initiative mostram que as mulheres seguem pouco presentes nos bastidores, especialmente em funções como produção e engenharia de som.

Isso não invalida o papel do EQUAL na promoção da igualdade de gênero na indústria. O programa ajudou as artistas participantes a chegar a públicos globais que talvez não alcançassem sozinhas. E ao manter esse movimento ao longo do ano, sem se limitar a datas pontuais, tem conseguido sustentar esse impacto

Incluir as artistas em playlists não resolve as desigualdades estruturais. As iniciativas do Spotify são um avanço, mas funcionam mais como uma remediação pontual do que como uma solução para o problema.

O que o EQUAL representa para as artistas independentes

Para as artistas independentes, assim como para quem trabalha com elas, como agentes, produtores e distribuidores, entender como o EQUAL funciona e quais são suas limitações ajuda a orientar melhor as decisões estratégicas.

1. O pitching editorial continua sendo o principal ponto de entrada

O caminho mais rápido para a EQUAL é o Spotify for Artists e o pitching de playlists editoriais por meio de um serviço especializado ou de um distribuidor, como a iMusician. No Spotify for Artists, as faixas devem ser enviadas pelo menos sete dias antes do lançamento. Se você estiver fazendo o pitching por meio da iMusician, o upload da faixa deve acontecer pelo menos 20 dias antes da data de lançamento planejada para que ela tenha mais chance de entrar em uma playlist.

Um bom pitch deve incluir:

  • Metadados precisos, como gênero, vibe, instrumentação, idioma e localização

  • Uma faixa principal em que você realmente acredita

  • Uma descrição clara e convincente da música

  • Contexto do lançamento, além de resultados e conquistas anteriores

A curadoria das playlists do EQUAL é feita por editores, o que significa que um bom pitch, com informações claras e bem contextualizadas, tem chances de ser considerado, independentemente de você ter ou não contrato com um selo.

Observação importante: a qualidade dos metadados é essencial. A equipe editorial do Spotify se baseia em tags de gênero, idioma e vibe para direcionar a música. Se os metadados estiverem incompletos ou incorretos, sua música pode nem ser considerada.

(Se quiser aproveitar essa oportunidade, confira nosso guia sobre como entrar nas playlists editoriais do Spotify.)

2. Faça seus lançamentos estrategicamente

Ter uma estratégia de lançamento também é importante. As embaixadoras do EQUAL são escolhidas mensalmente, portanto, se você programar seu lançamento no início do mês ou em momentos de destaque, como o Dia Internacional da Mulher, aumentará suas chances.

Isso não quer dizer que você deva concentrar todos seus esforços em março, para o Dia Internacional da Mulher. As playlists editoriais funcionam o ano todo, e um lançamento bem planejado em agosto ou novembro não será prejudicado pelo calendário se a sua música agradar os ouvintes.

3. Invista no engajamento

Também vale a pena se envolver com outras ações do ecossistema EQUAL. A iniciativa tem parceria com organizações como She Is The Music, SoundGirls e Women in Music, que administram seus próprios programas, mentorias e redes comunitárias. Ao participar dessas comunidades, você poderá construir relacionamentos profissionais que levarão à visibilidade editorial, não apenas no Spotify, mas em toda indústria musical.

4. Aposte no crescimento sustentável

As playlists editoriais podem até impulsionar o crescimento, mas são os sinais de engajamento, como salvamentos, replays, inclusões em playlists de usuários e taxa de conclusão que guiam os algoritmos. Para as artistas independentes, fazer parte de playlists pode transformar ouvintes ocasionais em público fiel, mas não deve ser encarado como um tudo ou nada.

Uma estratégia sustentável no longo prazo inclui:

  • Lançar músicas com consistência

  • Manter uma presença online ativa

  • Manter o perfil atualizado (canvas, bio, artist pick)

  • Se conectar com o público nas redes sociais e por e-mail

  • Construir uma base de fãs fora das plataformas.

Em resumo, o EQUAL pode ampliar sua visibilidade, mas não substitui uma estratégia de carreira nem garante uma distribuição mais justa da receita. Quem entende os pontos fortes e os limites do programa tende a aproveitar melhor essa oportunidade.

Conclusão

O Spotify EQUAL se consolidou como uma das iniciativas de combate a desigualdade de gênero mais completas entre as plataformas de streaming. Ao unir playlists globais, curadoria regional, campanhas com embaixadoras e parcerias de marketing, o programa busca ir além do simbolismo para criar mecanismos reais de visibilidade.

Ao mesmo tempo, o EQUAL evidencia o quanto a indústria ainda precisa evoluir. Playlists abrem portas, mas o caminho para a equidade passa por mudanças profundas em áreas como produção, liderança, contratação, financiamento e, em especial, na forma como os algoritmos funcionam.

As plataformas de streaming precisam priorizar a representação feminina, mas também temos que fazer a nossa parte. Isso significa ouvir mais mulheres, apoiar o trabalho de produtoras e compositoras, consumir playlists com equilíbrio de gênero, cobrar transparência dos serviços e fortalecer as organizações alinhadas à essa causa.

Afinal, se a visibilidade é o que define o sucesso de uma carreira, o posicionamento das grandes plataformas é o que dita o futuro de toda a indústria.

FAQs

O programa global Spotify EQUAL é uma iniciativa permanente lançada em março de 2021 para abordar a persistente lacuna de gênero na indústria musical. Ao contrário das campanhas sazonais, ele opera durante todo o ano em 184 mercados globais para oferecer às mulheres e aos criadores não binários um ecossistema dedicado à descoberta. O programa se baseia em três pilares: o EQUAL Hub, o programa de embaixadoras e parcerias estratégicas com organizações como a She Is The Music para fornecer apoio institucional às criadoras.

O viés estrutural no streaming é um ciclo vicioso em que os algoritmos de recomendação priorizam artistas homens. Como essas ferramentas são treinadas com dados de consumo que já favorecem o catálogo masculino, o sistema continua replicando e amplificando essa desigualdade por padrão. Isso gera o chamado "intervalo de sete faixas", fenômeno em que o usuário recebe cerca de sete recomendações de homens antes de o algoritmo sugerir uma mulher. Em playlists como a Descobertas da Semana, a presença de mulheres é de apenas 19,7%, volume muito menor do que quando o próprio público escolhe ativamente o que deseja ouvir.

Desde que foi criado, o EQUAL proporcionou às artistas participantes um alcance editorial impressionante, batendo mais de 1,3 bilhão de reproduções logo no primeiro mês no programa. Só em 2023, as playlists do projeto geraram mais de 14,8 milhões de novas descobertas, apresentando as artistas a um público ao qual dificilmente chegariam por meio dos algoritmos tradicionais. O programa também ajudou a aumentar a presença feminina entre os artistas com maior faturamento. O percentual de mulheres que ganham mais de US$ 1 milhão por ano no Spotify subiu de 14% em 2017 para 18% em 2024.

Sim, as artistas independentes podem acessar o ecossistema EQUAL mesmo sem ter contrato com um selo por meio do Spotify for Artists. Para aumentar suas chances de seleção, siga estes passos:

  • Envie com antecedência: mande sua faixa para os editores do Spotify entre 7 e 21 dias antes da data de lançamento para que ela entre no radar dos editores a tempo.
  • Capriche nos metadados: use tags de gênero, vibe e idioma com precisão, pois esses marcadores são os principais filtros usados pelos editores das playlists do EQUAL.
  • Forneça contexto: use a descrição do pitch para enfatizar seu papel como produtora ou compositora. O programa busca dar destaque a mulheres em funções técnicas e isso pode ajudar.

O Spotify EQUAL é uma iniciativa significativa, mas que não altera a estrutura dos algoritmos de recomendação da plataforma. A curadoria editorial ajuda a gerar sinais de engajamento, como salvamentos e replays, que os algoritmos acabam recompensando. Mesmo assim, recursos como o Radar de Novidades e as Rádios de Artistas continuam dependendo, em grande parte, do histórico de comportamento dos usuários. O suporte editorial do programa EQUAL ajuda a trazer visibilidade para as mulheres, mas o caminho para a igualdade de gênero nas plataformas de streaming passa por uma mudança profunda na forma como consumimos música.

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Martina
Martina

Martina é uma jornalista musical e especialista em conteúdo digital, baseada em Berlim. Começou a tocar violino aos seis anos e passou uma década imersa na música clássica. Hoje, escreve sobre tudo relacionado à música, com interesse especial pelas complexidades da indústria musical e das plataformas de streaming, e em formas de promover uma remuneração justa para os artistas.

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