Artistas menores de idade: guia completo sobre direitos, contratos e distribuição
- Martina
- 09 outubro 2025, quinta-feira
A indústria musical mudou significativamente nos últimos vinte anos. Com apenas um laptop, fones de ouvido e uma boa conexão de Internet, qualquer pessoa, incluindo crianças e adolescentes, pode escrever, gravar e lançar músicas que alcançam milhões de ouvintes em todo o mundo. Mas, para artistas menores de idade, lançar músicas envolve alguns desafios. Você tem direitos sobre suas faixas? Pode assinar contratos? Os royalties são pagos a você ou aos seus pais? Este guia tem o objetivo de responder a todas as perguntas que um jovem artista possa ter sobre o lançamento de músicas. Vamos lá?
Como artistas menores de idade lançam músicas no cenário global
O lançamento e a distribuição de músicas de artistas menores de idade não é uma ocorrência incomum na indústria fonográfica. Na verdade, muitas das maiores estrelas da atualidade começaram antes mesmo de poderem dirigir ou votar. A Billie Eilish tinha apenas 13 anos quando gravou "Ocean Eyes" no quarto, com seu irmão Finneas. Aos 17 anos, ela já havia se tornado um fenômeno mundial.
Justin Bieber também tinha 13 anos quando viajou para Atlanta com o produtor Scooter Braun para gravar suas demo. Na semana seguinte, ele já estava cantando com Usher e, pouco tempo depois, assinou contrato com o Raymond Braun Media Group.
E a lista não termina aí: Taylor Swift, Shawn Mendes, Olivia Rodrigo, Michael Jackson, Britney Spears, todos eles iniciaram suas jornadas bem antes de atingir a maioridade legal. Essas não são apenas histórias inspiradoras, elas são a prova de que a idade não é barreira para iniciar uma carreira musical.
O que artistas menores de idade precisam saber sobre seus direitos
Antes de mergulhar no processo de lançamento, é fundamental que você entenda sua situação legal como um jovem artista. A indústria musical pode parecer complicada, mas conhecer o básico sobre os direitos dos artistas menores de 18 anos traz autonomia para tomar decisões conscientes e seguras sobre a própria carreira.
Direitos autorais: sua música, sua propriedade
Na maioria das regiões, um "menor" é qualquer pessoa com menos de 18 anos de idade. Embora a maioridade, ou seja, a idade em que você atinge a capacidade legal plena, seja diferente de um país para outro.
Estados Unidos: 18 anos na maioria dos estados (19 no Alabama e Nebraska; 21 no Mississippi)
Reino Unido: 18 anos na Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte
Canadá: 18 ou 19 anos, dependendo da província
União Europeia: normalmente 18, mas varia de acordo com o estado membro
Austrália: 18 anos em todos os estados e territórios
Brasil: 18 anos, em todo o território nacional
Antes de tudo, é importante responder a uma questão fundamental: menores de idade têm direitos sobre as próprias músicas? A resposta é sim. Se você cria uma música, você é o proprietário dela, mesmo que ainda não tenha atingido a maioridade legal em seu país.
A lei de direitos autorais reconhece a autoria de uma obra criativa no momento em que ela é criada. A idade não importa. Se você escreveu a letra, compôs a melodia ou gravou a faixa, esses direitos são seus.
É essencial entender que ser menor de idade não reduz seus direitos como autor. Um compositor de 15 anos tem os mesmos direitos que um de 45. A lei não faz distinção de idade quando se trata de autoria.
Os dois tipos de direitos autorais na música
Toda obra musical envolve, na verdade, dois tipos de direitos autorais, e entender essa diferença é essencial para proteger o seu trabalho.
1. Direitos de composição
Esses direitos abrangem:
Letra
Melodia
Acordes e estrutura harmônica
Arranjo
Se você escreveu uma música, você é o autor e titular dos direitos autorais sobre essa composição. Esses direitos duram por toda a sua vida e se estendem por mais 70 anos após a sua morte, na maioria dos países (em alguns lugares, por 50 anos). Isso significa que uma música composta aos 16 anos pode continuar gerando ganhos para seus netos muitas décadas depois.
2. Direitos de gravação
Esses direitos abrangem:
O arquivo de audio em si (WAV, MP3 ou FLAC, que é o formato de distribuição)
A versão registrada na gravação
Os elementos de produção exclusivos dessa gravação
Se você fez a gravação sozinho no seu quarto, você é o titular dos direitos fonográficos. Se gravou em um estúdio profissional, a titularidade depende de quem pagou pela sessão. Na maioria dos casos, quando a produção é custeada pelo artista, a gravação continua sendo dele.
Em resumo, você pode ser o titular da composição sem ter os direitos fonográficos (caso outra pessoa tenha gravado uma música sua) ou ter os direitos sobre a gravação sem ser o autor da composição (se tiver gravado uma música de outra pessoa).
O ideal, como artista independente, é que você seja proprietário de ambos, o que lhe dará controle total sobre como sua música é distribuída e monetizada.
Noções básicas sobre contratos: por que menores precisam da assinatura dos responsáveis
Ter menos de 18 anos não tira de ninguém os direitos sobre o que cria. Mas, se a música já é sua, qual é o problema? A capacidade contratual. Na maioria dos países, menores de idade não podem firmar contratos legalmente válidos sem o consentimento dos pais ou responsáveis.
Por que isso é importante? Porque quase tudo no lançamento de músicas envolve contratos. Por exemplo:
Upload de músicas por meio de um distribuidor
Registo em uma organização de direitos autorais (PRO)
Licenciamento de músicas para um selo, editora ou plataforma de transmissão
Na verdade, essa é uma legislação de proteção estabelecida para evitar a exploração de jovens criadores. Os tribunais reconhecem que os menores podem não compreender totalmente as implicações de longo prazo dos contratos, portanto, normalmente permitem que os menores anulem os contratos que assinaram (chamado de "desautorização"). Por esse motivo, a maioria das empresas exige que um dos pais ou responsável também assinem o contrato, garantindo que ambas as partes estejam protegidas.
O que os menores podem e não podem fazer sozinhos?
Você PODE:
Escrever, compor e produzir música
Ter os direitos autorais sobre suas obras originais
Fazer upload de músicas para contas pessoais em redes sociais (algumas plataformas exigem consentimento dos pais para menores de 13 ou 16 anos)
Colaborar com outros artistas
Construir uma base de fãs e sua presença online
Ganhar dinheiro com transmissões, downloads e apresentações
Você NÃO PODE (sem envolver seus pais ou responsáveis):
Assinar contratos legalmente válidos (distribuição, selo, gerenciamento etc.)
Criar uma conta nas maioria dos distribuidores de música
Assinar contratos com gravadoras, editoras ou empresas de gerenciamento artístico
Abrir contas bancárias para receber pagamentos de royalties (na maioria dos casos)
Entrar com ações legais (como violação de direitos autorais) por conta própria
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Fazer seu próprio registro em entidades como ASCAP, BMI ou PRS
É aqui que os pais ou responsáveis entram em cena, não como proprietários do seu trabalho, mas como facilitadores legais para ajudar você a exercer seus direitos e a gerenciar contratos e pagamentos até que você atinja a maioridade.
O papel dos pais e responsáveis
Como acabamos de observar, quando se é um músico menor de idade, o consentimento dos pais ou responsáveis não é opcional. Ele é exigido por lei para proteger o artista contra abusos e garantir que ele seja tratado justamente em acordos comerciais.
Ainda assim, é compreensível que envolver os pais possa fazer com que você sinta que está perdendo a independência e abrindo mão do controle dos seus sonhos. Mas a verdade é que, embora criar seja o coração do que você faz, lançar músicas profissionalmente envolve muito mais do que talento e criatividade, sendo que grande parte desse trabalho fica nos bastidores, escondido dos olhos do público.
Essa complexa rede de tarefas inclui: compreender seus direitos, revisar contratos, gerenciar pagamentos, dividir royalties, declarar impostos e cumprir as leis. O envolvimento dos pais ou responsáveis não é apenas uma questão de permissão, muitas vezes, é a sua maior proteção e o melhor sistema de suporte na hora de lidar com o lado comercial da música.
Quando seus pais ou responsáveis assinam um contrato de distribuição ou criam uma conta em uma plataforma de música em seu nome, eles normalmente concordam em:
Assumir a responsabilidade legal pelos termos do contrato
Aceitar a responsabilidade financeira por quaisquer taxas ou dívidas contraídas
Confirmar a exatidão das informações enviadas
Garantir a conformidade com as regras e os termos de serviço da plataforma
Gerenciar obrigações fiscais e declarações exigidas por lei , quando necessário
Autorizar pagamentos de royalties em sua conta ou em um fundo designado
Isso NÃO significa que eles tenham direito a:
Controle sobre suas decisões criativas
Propriedade de seus direitos musicais
Uma parte dos seus ganhos (a menos que você tenha concordado com isso separadamente)
A forma mais segura de proteger tanto você quanto seu responsável é formalizar o acordo por escrito. Isso é feito por meio de um Termo de consentimento do responsável ou Termo de consentimento para menor artista, que deve declarar claramente que:
Os direitos e os direitos autorais pertencem exclusivamente ao menor artista
O tutor está agindo apenas como representante legal, não como proprietário
Qualquer renda ou royalties pertencem ao artista, embora o tutor possa administrá-los até que o artista complete 18 anos
O acordo termina automaticamente quando o artista atingir a maioridade
Esse não precisa ser um documento jurídico complexo; um contrato de uma página assinado por ambas as partes (de preferência com testemunhas e reconhecido em cartório) proporciona clareza e segurança para todos os envolvidos.
Leia os contratos com seu responsável e tire dúvidas abertamente, para garantir que tanto você quanto ele entendam o que cada cláusula significa antes de assinar.
Você pode estar se perguntando por que isso é tão importante? Infelizmente, relações mudam, famílias passam por conflitos, pais se divorciam. Podem surgir desentendimentos sobre dinheiro ou carreira. Ter um acordo por escrito desde o início ajuda a evitar confusões, conflitos e possíveis perdas de renda no futuro, além de garantir um registro claro da sua propriedade.
A história da música está repleta de histórias de jovens artistas cujos pais ou empresários (atuando como responsáveis legais) fizeram mau uso de seus ganhos. Alguns perderam milhões por má administração ou abuso.
Um exemplo famoso é o do ator mirim Jackie Coogan, cujos pais gastaram toda a sua fortuna antes que ele atingisse a idade adulta. Seu caso levou à criação da Lei Coogan (Califórnia), que exige que uma parte dos ganhos de atores mirins seja reservada em uma conta fiduciária, protegida até que atinjam a maioridade.
Embora a Lei Coogan se aplique principalmente a atores e vigore apenas em regiões específicas dos EUA, ela parte de princípios que valem, também, para músicos: proteja sua renda, documente sua propriedade e estabeleça limites desde o início.
Assinar um Termo de consentimento do responsável e, quando possível, criar um fundo fiduciário ou conta poupança para seus royalties garante que os ganhos com suas criações sejam preservados e que você mantenha controle total sobre eles quando atingir a idade adulta.
Lançamentos musicais de menores artistas
Você compôs e gravou sua primeira faixa, e agora chegou a hora de mostrar sua música ao mundo. A boa notícia? Você pode lançar músicas antes dos 18 anos. O processo só exige alguns passos legais extras para garantir que tudo aconteça de forma tranquila e segura.
A distribuição de música digital é o processo que coloca suas músicas no Spotify, Apple Music, Deezer, Amazon Music, TikTok, YouTube Music, Tidal e centenas de outras plataformas em todo o mundo. É assim que os artistas independentes conseguem que suas músicas sejam ouvidas sem ter que assinar com uma gravadora.
Quando você se inscreve em um distribuidor, está firmando um acordo de serviço, que é um contrato válido legalmente. E, como sabemos, menor de idade não poderem assinar esse tipo de contrato por conta própria na maioria das regiões. Em vez disso, seus pais ou responsáveis devem cuidar da parte legal em seu nome.
Distribuição de músicas de menores artistas
Confira o passo a passo de como lançar suas músicas sendo menor de idade:
Etapa 1: Seu responsável cria uma conta de distribuidor
Como menores de idade não podem assinar contratos legalmente, seu pai, mãe ou responsável deve criar uma conta em uma plataforma de distribuição musical em seu nome. O cadastro é feito com os dados deles, incluindo nome, e-mail e dados bancários, e o contrato é firmado pelo responsável como seu representante legal.
Dica: Escolha um distribuidor que tenha políticas claras para artistas menores de idade e que permita a assinatura conjunta do responsável sem complicações desnecessárias. Na iMusician, somos conhecidos por oferecer termos transparentes e favoráveis.
Etapa 2: Configure seu perfil de artista
Embora a conta seja tecnicamente registrada no nome do seu responsável, o seu perfil de artista deve ser configurado com o seu nome artístico ou com a identidade artística escolhida. Isso garante que:
Sua música seja creditada corretamente a você
Sua identidade artística permaneça consistente em todas as plataformas
Os fãs e os profissionais do setor possam encontrar você facilmente
Todos os seus futuros lançamentos sejam conectados à mesma página de artista verificada
Etapa 3: Faça o upload de suas músicas e metadados
Você fará o upload de suas faixas, da capa do álbum e de todas as informações sobre o seu lançamento, incluindo:
Título(s) das músicas
Gênero e idioma
Data de lançamento
Códigos ISRC e UPC (seu distribuidor pode ajudar a gerá-los)
Créditos de composição
Você pode fazer isso junto com o seu responsável, mas esse é o espaço para você assumir a a liderança criativa .
Etapa 4: Confirme a representação legal
A maioria dos distribuidores exige a confirmação de que o titular da conta (seu pai/mãe/responsável) está legalmente autorizado a agir em seu nome e distribuir sua música. Normalmente, essa confirmação inclui:
Declaração de que você detém os direitos da música
Declaração de que o responsável está assinando como representante legal, não como coproprietário
Concordar com os termos de serviço e os procedimentos de pagamento da plataforma
Essa etapa garante a transparência e evita disputas sobre quem detém o que mais tarde.
Etapa 5: Distribua para plataformas de streaming e lojas de download
Depois que tudo for aprovado e o lançamento for enviado ao distribuidor que você escolher, sua música estará disponível em todas as plataformas de streaming e download selecionadas – Spotify, Apple Music, TikTok e outras – como o trabalho de qualquer outro artista.
Os ouvintes verão seu nome artístico, sua capa e sua música, nunca o nome de seus pais ou detalhes da conta. Não importa a sua idade, o que chega até o público é simplesmente a sua música.
O que os artistas com menos de 18 anos precisam saber sobre contratos
Mesmo que seu responsável assine em seu nome, você deve sempre ler e entender os contratos por conta própria, afinal eles determinam como você vai receber por sua música e definem quais direitos você concede a terceiros. Aqui estão os tipos de contrato mais comuns que você vai encontrar.
1. Contrato de distribuição
Para que serve: conceder a um distribuidor o direito de colocar sua música em plataformas de streaming e lojas digitais.
Preste atenção em:
Prazo: quanto tempo dura o contrato? É por lançamento ou contínuo?
Território: onde sua música será distribuída? Costuma ser em todo o mundo, mas é bom verificar.
Direitos concedidos: devem ser direitos de distribuição sem exclusividade
Remuneração: taxa fixa por lançamento, assinatura anual ou porcentagem dos direitos autorais?
Rescisão: como você pode rescindir o contrato e o que acontece com sua música?
Sinais de alerta:
O distribuidor reivindica a propriedade de suas gravações fonográficas.
Termos exclusivos que impeçam você de trocar de distribuidor
Taxas ocultas ou divisão de receita pouco claros
Renovações automáticas sem aviso prévio
Exemplo - Termos típicos da iMusician:
Direitos de distribuição não exclusivos (você mantém o controle)
Você mantém 100% da propriedade
Preços transparentes e flexíveis (planos anuais ou taxas por lançamento)
Política de rescisão clara e opções de remoção
2. Contrato de edição
Para que serve: cuidar da parte autoral da sua música, como letra, melodia e progressões de acordes.
Principais tipos de contratos de edição musical:
Edição administrativa: a editora cuida da parte burocrática e da arrecadação dos direitos em troca de uma porcentagem (geralmente entre 10% e 20%).
Coedição: a editora fica com 50% dos direitos editoriais e, em alguns casos, oferece um adiantamento ao artista.
Edição integral: a editora assume 100% dos direitos editoriais e, em troca, costuma pagar um adiantamento mais alto.
O que você deve procurar no documento:
Porcentagens de royalties claramente definidas
Prazo do contrato (anos) e cláusula de reversão (quando os direitos retornam a você)
Território (mundial ou regional)
Adiantamentos e pagamentos de royalties
Melhor opção para menores de idade: comece mantendo 100% dos direitos autorais ou optando por contrato de administração editorial. Nunca ceda seus direitos de edição sem orientação jurídica
Importante: direitos editoriais e direitos fonográficos são coisas distintas. É possível distribuir suas gravações de forma independente mesmo com um contrato de edição e vice-versa.
3. Contratos de licenciamento e sincronização
Para que serve: permitir que suas músicas sejam usadas em programas de TV, filmes, anúncios, videogames ou outras mídias.
Principais tipos de licenciamento:
Licença de sincronização: abrange a composição (letra, melodia)
Licença de direitos fonográficos: abrange a gravação em si.
Você precisará de ambas para licenciar sua música para conteúdos audiovisuais, a menos que seja um cover de outro artista. Nesse caso, você deve licenciar só a gravação.
O que você deve procurar no documento:
Exclusividade: você está licenciando uma faixa exclusiva? Não oferecer exclusividade é mais seguro e permite que você licencie sua música em outros lugares.
Território: onde sua música pode ser usada? Mundialmente, em países específicos, por streaming ou na internet?
Prazo: por quanto tempo ela poderá ser usada? Por exemplo: uma vez, por um ano, para sempre.
Mídia: em que tipos de conteúdo sua música pode ser inserida?
Remuneração: taxa fixa, pagamento por uso ou royalties por execução?
Sinais de alerta:
Direitos vitalícios (para sempre) por um pequeno pagamento
Uso em todas as mídias, sem limitações
Cláusula de “trabalho sob encomenda” (faz você perder os direitos sobre a obra)
Termos de exclusividade que impeçam futuros acordos de licenciamento
4. Acordos de colaboração e termo de divisão
Pra que serve: documentar quem contribuiu para uma música e como a propriedade e os royalties serão divididos. Isso é especialmente importante se você trabalha com amigos, colegas de classe ou colaboradores online. Sem um acordo de divisão de direitos, é muito provável que surjam disputas no futuro.
No termo de divisão, você deve incluir:
Título da música e data de criação
Nomes, funções e informações de contato de todos os colaboradores
Percentuais de propriedade da composição
Vínculo com organizações de gestão coletiva (como ASCAP, BMI, PRS etc.)
Assinaturas de todos os envolvidos
Lembre-se: os termos de divisão cobrem apenas a composição, não a gravação. O direto fonográfico é algo separado e também deve ser documentado se várias pessoas contribuíram para a gravação. Crie os termos de divisão imediatamente após terminar uma faixa com colaboradores. Não espere até que haja dinheiro envolvido, pois é aí que as amizades acabam e começam as batalhas legais.
Como receber royalties sendo menor de idade
Criar e lançar músicas é emocionante. E quando você está sendo pago por isso, melhor ainda. Mas o sistema de royalties pode ser confuso, com o dinheiro vindo de diferentes fontes por meio de várias organizações. Antes de mais nada, é importante que você entenda os dois principais tipos de royalties.
1. Royalties de edição (pela composição de suas músicas)
Esses royalties vêm da composição, ou seja, da música em sua forma original, com letra e melodia.
Royalties de execução: gerados quando suas músicas são tocadas no rádio, em locais públicos, lojas ou no streaming (uma parte da receita de execução vai para os compositores)
Royalties mecânicos: gerados quando sua música é reproduzida (CDs, downloads, streaming)
Royalties de sincronização: gerados quando sua música é usada em conteúdos audiovisuais (TV, filmes, anúncios, jogos)
Quem faz a arrecadação dos royalties:
Organizações de direitos autorais (PROs) como ASCAP, BMI, PRS (Reino Unido), ECAD (Brasil) etc.
Organizações de direitos mecânicos (MROs) como a MLC (EUA), MCPS (Reino Unido), ECAD (Brasil)
O licenciamento para sincronização geralmente é feito por meio de negociação direta.
2. Royalties de gravação fonográfica
São provenientes da gravação em si:
Royalties de streaming: do Spotify, Apple Music, Deezer, etc.
Vendas por download: Do iTunes, Amazon, etc.
Vendas físicas: CDs ou vinil (se aplicável)
Quem coleta esses valores:
Seu distribuidor de música coleta das plataformas de streaming e paga a você
Vendas diretas (como no Bandcamp ou no seu site) vão diretamente para você.
Como configurar a cobrança de direitos autorais como menor de idade
Etapa 1: registre-se em uma Organização de Direitos de Execução (PRO)
Etapa 1: Registre-se em uma PRO (Organização de Direitos de Execução)
Para receber royalties de edição sobre a sua composição, você precisa se associar a uma organização de direitos autorais.
Nos Estados Unidos:
ASCAP (Sociedade Americana de Compositores, Autores e Editores)
BMI (Broadcast Music Inc.)
SESAC (somente por convite)
GMR (Global Music Rights, também por convite)
Menores de idade podem participar, mas:
Você provavelmente precisará do consentimento dos seus responsáveis.
Seus responsáveis talvez precisem assinar o contrato de associação junto com você
Alguns exigem que você esteja lançando músicas ativamente
Em outros países:
Reino Unido: PRS for Music
Canadá: SOCAN
Alemanha: GEMA
França: SACEM
Austrália: APRA AMCOS
Brasil: ECAD
Cada PRO tem requisitos de filiação, taxas e serviços um pouco diferentes. Pesquise qual delas atende melhor ao seu caso. Em muitos países, existe apenas uma entidade, então a escolha já vem definida.
O que registrar:
Seu nome como compositor(a)
Cada música que você compuser (título, letra, melodia e percentual de titularidade
Coautores e as PROS às quais eles são filiados
Etapa 2: defina sua forma de pagamento com o distribuidor
Seu distribuidor precisa das suas informações bancárias para enviar a você os royalties da gravação.
Menores de idade têm as seguintes opções:
Conta corrente de adolescente/estudante (seu nome, com os pais como custodiante)
Conta de custódia (UTMA/UGMA nos EUA, estrutura mais formal)
Conta dos pais com documentação clara de que os fundos pertencem a você
Conta conjunta com os pais
Já falamos sobre isso anteriormente, mas a ideia é simples: mantenha uma conta separada para a sua renda com música. Isso facilita o controle financeiro e mostra que se trata de receita profissional, não de mesada.
Como construir uma carreira antes dos 18 anos
Lançar músicas é só uma parte da construção de uma carreira sustentável. Como artista jovem você tem vantagens únicas, como energia, tempo para evoluir e familiaridade natural com novas plataformas. Mas também existem desafios, como restrições legais, compromissos escolares a e a supervisão dos responsáveis.
Redes sociais e presença online
As redes sociais são ferramentas poderosas para os músicos modernos, mas elas trazem restrições de idade e preocupações com a segurança.
Restrições de idade das plataformas:
TikTok: 13+ (16+ em alguns países)
Instagram: 13+
YouTube: 13+ (você pode ter um canal gerenciado pelos pais se for mais jovem)
Twitter/X: 13+
Facebook: 13+
Snapchat: 13+
Twitch: 13+
Discord: 13+ (17+ para servidores de conteúdo adulto)
Estratégias compatíveis com a sua idade
Se você entre 13 e 15 anos:
Concentre-se no conteúdo criativo em vez de na sua vida pessoal
Peça aos seus pais que revisem o conteúdo antes de publicar
Use os controles de privacidade de forma rigorosa
Não compartilhe informações de localização ou detalhes da escola
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Considere usar um nome artístico e manter sua identidade pessoal reservada.
Não interaja com desconhecidos pedindo encontros ou informações pessoais
Se você tem entre 16 e 17 anos:
Desenvolva sua identidade artística
Comece a se envolver mais diretamente com os fãs (ainda com cuidado)
Crie uma lista de e-mails (isso fará diferença mais tarde)
Faça contatos com outros artistas do seu gênero/faixa etária
Crie conteúdo relevante (tutoriais, bastidores, processo de composição)
Ideias de conteúdo para jovens artistas:
Bastidores do processo de gravação
Explicações sobre o significado das músicas
Tutoriais de “como produzi essa batida"
Covers e versões
Conteúdo sobre o dia a dia
Colaborações com outros artistas jovens
Trechos de apresentações ao vivo
Desafios de composição de músicas
Avaliações e recomendações de equipamentos
Vídeos mostrando seu progresso ao longo do tempo
Apresentações ao vivo antes dos 18 anos
As apresentações ao vivo são o momento em que os artistas realmente criam conexão com o público, mas as casas de show costumam ter restrições de idade e preocupações com segurança ao contratar menores.
Exigências dos locais de apresentação
Locais para todas as idades, como cafés, centros comunitários, bibliotecas, escolas
Geralmente não servem bebidas alcoólicas, o que facilita a reserva de menores
Podem ter horários de encerramento mais cedo (toque de recolher às 22h)
Geralmente são mais receptivos a artistas jovens
Locais para maiores de 18 ou 21 anos: a maioria dos bares, clubes e algumas casas de show
Podem abrir exceções para artistas (permitindo que se apresentem, mas não que frequentem o local como público)
Costumam exigir a presença de um responsável nos bastidores
Podem ter exigir seguro para apresentações de menores de idad
O que você precisa para se apresentar legalmente:
Autorização de trabalho: em algumas regiões, menores precisam de uma permissão específica para atuar no setor de entretenimento.
Autorização dos pais: permissão por escrito dos pais/responsáveis
Supervisão dos pais: os pais ou responsáveis devem estar presentes nas apresentações
Revisão do contrato: os pais ou responsáveis devem revisar qualquer contrato de apresentação
Plano de segurança: saber as rotas de saída, ter contatos de emergência à mão e estar sempre acompanhado pelos pais ou por um adulto de confiança
Conclusão
Ter menos de 18 anos não impede que você se torne um artista profissional. A partir do momento em que você cria uma música, os direitos pertencem a você. O único desafio é que os contratos exigem um representante legal, e é aí que entram seus pais ou responsáveis. Com os contratos certos, uma comunicação clara e um pouco de organização, você pode começar sua carreira cedo e, ao mesmo tempo, proteger seu futuro criativo.
Este guia abrange muitas coisas, mas não se assuste: a maioria dos jovens artistas começa simplesmente lançando suas músicas por meio de um distribuidor digital como a iMusician. É um processo intuitivo que coloca suas músicas em plataformas como Spotify e Apple Music. Você pode lidar com as etapas mais avançadas, como se registrar em entidades de gestão coletiva ou agências de sincronização, mais tarde, à medida que sua carreira ganha força.
Ao completar 18 anos, você assumirá seus direitos e responsabilidades. Mas, até lá, já terá construído uma base sólida para sua carreira musical.
FAQs
Martina é uma jornalista musical e especialista em conteúdo digital, baseada em Berlim. Começou a tocar violino aos seis anos e passou uma década imersa na música clássica. Hoje, escreve sobre tudo relacionado à música, com interesse especial pelas complexidades da indústria musical e das plataformas de streaming, e em formas de promover uma remuneração justa para os artistas.