Organizações e iniciativas que estão redefinindo o papel das mulheres na música
- Martina
- 13 março 2026, sexta-feira
- Por que as organizações para mulheres na música são importantes
- Women in Music
- PRS Foundation – Iniciativa Keychange
- She is the Music
- Donne Foundation
- Entrevista com Gabriella Di Laccio, fundadora da Donne Foundation
- shesaid.so
- Women in CTRL
- The F-List
- SoundGirls
- Women's Audio Mission
- Girls Rock Camp Alliance
- female:pressure
- Femme Africa
- Music In Africa Foundation
- Como artistas independentes podem participar desse movimento
- Conclusão
- FAQs
Apesar dos avanços, a indústria musical continua a enfrentar disparidades estruturais de gênero em diversos momentos, como na escalação dos festivais, nos créditos de produção, na liderança executiva e no acesso a subsídios. Com isso, vemos surgir um ecossistema de grupos de defesa de direitos, instituições de fomento, redes de mentoria e coletivos de base empenhados em abrir caminhos para as mulheres e para profissionais com outras identidades de gênero.
Este artigo traz organizações e iniciativas que vêm promovendo mudanças em todas as etapas do negócio musical e mostra como artistas independentes podem se envolver com elas.
Conversamos também com Gabriella Di Laccio, fundadora da Donne Foundation, sobre os desafios e os avanços na luta pela igualdade de gênero na música clássica.
Por que as organizações de apoio às mulheres na música são importantes
Antes de explorar os diversos grupos que fazem parte desse movimento, é fundamental entender o que queremos dizer com "organizações de apoio às mulheres na música", já que elas assumem várias formas.
Algumas são entidades sem fins lucrativos que oferecem programas de mentoria e bolsas, outras são redes profissionais construídas em torno de comunidade e conexões. Há também aquelas que atuam na defesa de direitos, cobrando festivais, selos e instituições do setor por mudanças estruturais, e aquelas que trabalham no nível de base, organizando acampamentos para jovens ou reuniões locais que nunca aparecem nos grandes veículos da indústria mas ainda assim mudam vidas.
O que todas têm em comum é reconhecer que a indústria musical nunca ofereceu voluntariamente oportunidades iguais para as mulheres prosperarem. Esperar que ela se corrija sozinha não é uma expectativa realista.
Segundo um relatório da Inclusion Initiative da USC Annenberg, em 2025 as mulheres representavam apenas 37,7% dos artistas e 18,9% dos créditos de composição nas 1.300 músicas mais populares da Billboard Hot 100. Nos bastidores, a defasagem é ainda maior, com as mulheres representando apenas 5,9% dos produtores musicais. O relatório também destacou a estagnação do progresso, apontando que 2024 foi um ano em que a representação das mulheres na música não apresentou melhoras. A presença de artistas não brancas também diminuiu, de 61% em 2023 para cerca de 44,6% em 2024.
A escalação dos festivais conta uma história parecida. Uma pesquisa da Sky News em 2023 mostrou que as mulheres representavam apenas 20% das atrações principais globais, com base nos 334 nomes que participaram de 104 festivais listados no Music Festival Wizard e no Viberate. Em eventos de maior porte, com capacidade acima de 30 mil pessoas, esse número cai para 18%. Em geral, apenas cerca de uma em cada dez artistas no palco eram mulheres.
No conjunto, esses números apontam para barreiras estruturais persistentes, como acesso limitado a redes da indústria, exclusão de funções técnicas, desigualdades nos incentivos financeiros e falta de referências visíveis nas posições de liderança do negócio. As iniciativas mais eficazes abordam várias áreas simultaneamente, incluindo defesa de direitos e revisão de políticas, subsídios e bolsas, mentoria e educação, instrumentos de responsabilização da indústria e construção de comunidades.
Para artistas independentes que trabalham sem o apoio de um selo ou de uma equipe de gestão, essas iniciativas não são apenas bem-vindas. Elas podem ser a diferença entre estagnar e avançar na carreira.
Confira a seguir, uma seleção de organizações e iniciativas que vêm promovendo mudanças relevantes na indústria
Iniciativas de defesa de direitos e transformação na indústria
Women in Music
Fundada em 1985, a Women in Music é uma das mais antigas e bem estabelecidas organizações dedicadas à promoção da igualdade de gênero na indústria musical. O que começou como um pequeno coletivo em Nova York se transformou em uma rede global com filiais na América do Norte, Europa e outros países.
A organização também atua na orientação e educação das mulheres, mas é o trabalho de defesa de direitos que estabelece sua relevância na indústria. A Women in Music se envolve diretamente com selos, plataformas de streaming e festivais para cobrar que eles cumpram seus compromissos com a equidade de gênero. Seu relatório anual Rocking the Boat acompanha a evolução da indústria e onde as desigualdades permanecem, tornando mais difícil para as instituições alegarem progresso sem apresentar evidências.
A Women in Music ainda oferece para as artistas independentes eventos comunitários, recursos de desenvolvimento profissional e acesso a uma ampla rede de suporte que abrange todo o setor.
PRS Foundation – Iniciativa Keychange
A Keychange é uma das ações de inclusão mais ambiciosas e consistentes do setor. Lançada em 2017, unindo a PRS Foundation a parceiros em toda a Europa, ela convida festivais de música e organizações da indústria musical a se comprometerem com o equilíbrio de gênero em suas programações e equipes e a divulgar publicamente seu progresso.
A iniciativa atraiu centenas de signatários, incluindo alguns dos festivais e eventos musicais mais prestigiados do mundo, como o Reeperbahn Festival e o Liverpool Sound City.
O que diferencia a Keychange de um simples compromisso público é seu foco na prestação de contas. Os signatários são estimulados a compartilhar dados, demonstrar progresso e permanecer engajados com o movimento. Promessas vazias ou dados sem comprovação tendem a desaparecer silenciosamente, e a Keychange foi criada para evitar isso.
A iniciativa também oferece um programa de desenvolvimento de talentos que ajuda mulheres e minorias de gênero com incentivo financeiro, oportunidades de networking e exposição internacional, atuando tanto junto às instituições quanto no apoio direto às artistas.
She is the Music
Com Alicia Keys, Jody Gerson, Jess Hughes e Ann Mincieli como fundadoras, a She Is the Music nasceu com o objetivo de aumentar o número de mulheres trabalhando na criação musical. No centro da iniciativa está um banco de dados pesquisável que agrega profissionais do mercado da música, como produtoras, compositoras e engenheiras de som, desenvolvido para facilitar a busca por artistas e a colaboração com selos.
Esta é uma ideia simples, mas de grande impacto. Um argumento comum contra o equilíbrio de gênero nos créditos musicais é que não há produtoras ou engenheiras suficientes com quem trabalhar. Este banco de dados coloca essa afirmação em xeque. Ao tornar o talento feminino visível e fácil de encontrar, a She Is the Music combate as desculpas convenientes e cria oportunidades reais. A organização também atua em parceria com escolas de música e entidades do setor para defender práticas de inclusão que saiam do discurso e passem a orientar decisões no dia a dia.
Iniciativa Spotlight: igualdade de gênero na música clássica
Donne Foundation
A música clássica carrega uma longa história de desigualdade de gênero, marcada por séculos de exclusão das mulheres de áreas como composição, regência e principalmente, das posições de liderança. Como exploramos em nosso artigo sobre as mulheres na música clássica, muitas dessas barreiras só agora começam a ser enfrentadas.
A Donne Foundation desafia esse legado para buscar maior visibilidade para as compositoras, trazendo à tona repertórios pouco explorados e incentivando as instituições a repensar a programação e as apresentações de música clássica. Ao criar um dos maiores bancos de dados de compositoras do mundo e colaborar com salas de concerto como o Royal Albert Hall, a Donne amplifica o debate sobre a representatividade nesse gênero musical.
Conversamos com Gabriella Di Laccio MBE, soprano e fundadora da Donne Foundation, sobre o cenário atual da representação feminina na música clássica e o que ainda precisa mudar.
Entrevista com Gabriella Di Laccio, fundadora da Donne Foundation
Crédito: Anatole Klapouch
Na sua opinião, qual é o maior obstáculo para aumentar a representatividade feminina na música hoje?
Um dos maiores desafios é que o desequilíbrio permanece profundamente enraizado nas estruturas da indústria musical. A escolha de quem entra na programação, cria obras por encomenda e ocupa as posições de liderança, historicamente, favorece um grupo restrito de artistas, e isso não muda de uma hora para outra.
Outro desafio é a visibilidade. Por séculos, muitas compositoras foram ignoradas ou excluídas do cânone, e por isso sua música ainda é pouco conhecida. Isso gera um ciclo vicioso: a música não entra na programação, então o público não a conhece. E programar uma música que o público não conhece pode parecer arriscado demais.
O mesmo vale para as gravações. As decisões sobre o que é gravado costumam ser baseadas em expectativas comerciais, não na descoberta de novos repertórios. Quando a música de mulheres não é gravada, fica mais difícil para intérpretes, programadores e o público terem contato com ela.
Nunca foi uma questão de talento. O desafio é garantir o equilíbrio no acesso às oportunidades e fazer com que a indústria busque por essas vozes e dê visibilidade a elas o tempo todo, não apenas em março.
Nossas pesquisas mostram que o progresso ainda é incipiente. Na verdade, detectamos uma diminuição no número de obras de mulheres na programação das orquestras, o que, no século XXI, é bastante chocante. Nosso último relatório sobre o BBC Proms mostrou que, embora 47% dos concertos incluíssem pelo menos uma peça composta por uma mulher, essas obras ocupavam apenas cerca de 8,6% do tempo total de apresentação, revelando que a inclusão nem sempre se traduz em representação.
A realidade é que o repertório clássico é muito mais rico e diverso do que ouvimos atualmente em nossas salas de concerto. O que precisamos agora é de uma decisão coletiva da indústria de parar de defender o status quo e começar a compartilhar essa música extraordinária com o público.
Você acha que a representatividade das mulheres aumentou na programação e nas funções de liderança da música clássica?
Houve algum progresso, e é importante reconhecer isso. Comparado a década de 2010, há uma maior consciência da necessidade de representação feminina na música clássica, e mais instituições estão começando a olhar criticamente para suas escolhas de programação.
Também vemos mais mulheres assumindo funções de liderança como regentes, diretoras artísticas e líderes de gestão dentro das organizações. Isso é importante porque a liderança influencia não apenas o que aparece no palco, mas também como as instituições imaginam o futuro dessa arte.
Mesmo assim, o avanço é lento. Concertos e festivais pontuais podem destacar a música de mulheres, mas, ao longo de uma temporada inteira, a programação ainda segue tradições que favorecem uma parte muito pequena do repertório disponível.
O que me encoraja é que a conversa está mudando. Mais diretores artísticos e programadores estão começando a reconhecer que representação não é apenas uma questão de justiça, mas também de descoberta artística. Há um universo musical extraordinário esperando para ser explorado
Com a Donne completando oito anos, que conquistas recentes você considera mais importantes?
O nosso oitavo aniversário é um momento significativo porque mostra o quanto uma pequena ideia pode crescer quando as pessoas acreditam nela. A Donne começou como meu projeto pessoal e se tornou uma plataforma reconhecida internacionalmente.
Eu tenho um orgulho especial da campanha Let HER MUSIC Play©, que culminou em um concerto global de 26 horas com músicas compostas exclusivamente por mulheres e pessoas não-binárias. A apresentação entrou para o Guinness Book como a transmissão ao vivo de música acústica mais longa já realizada.
Outro pilar importante do trabalho da Donne é a pesquisa. Nossos relatórios fornecem dados transparentes que ajudam as instituições a medir seu progresso e entender onde ainda precisam mudar.
O nosso banco de dados de compositoras online, a Big List, continua crescendo em impacto, com mais de 3 mil visitas por dia de músicos, programadores e pesquisadores de todo o mundo. Recentemente, descobrimos mais de 18 mil compositoras. Lançamos também uma campanha para garantir que esta lista seja acessível gratuitamente, de modo que intérpretes, educadores e instituições de todos os lugares possam usufruir desse repertório.
Em que área você vê a Donne gerando mais impacto nos próximos anos?
Nos próximos anos, vejo a Donne influenciando três áreas: dados, defesa de direitos e narrativa cultural.
Os dados nos ajudam a entender o momento da indústria e onde ela precisa mudar. A defesa de direitos traduz esse conhecimento em ação. E a narrativa, por meio de concertos, campanhas e projetos artísticos, estimula o público a se conectar emocionalmente com a importância da representação feminina.
No fim, nosso objetivo não é apenas denunciar a desigualdade, mas ajudar a remodelar o cenário musical para que as gerações futuras experimentem um repertório que realmente reflita a diversidade e a riqueza das vozes criativas em nosso mundo.
Gosto de imaginar uma sala de concertos no futuro na qual o público apenas vive a música, sem se perguntar como nunca tinha ouvido aquele som antes. Não dá vontade de assistir a esse concerto?
Mentoria e redes profissionais
shesaid.so
A shesaid.so é uma comunidade global para mulheres e pessoas de gênero diverso do mercado musical, fundada em 2014 e com ação em mais de 45 países. Seus membros abrangem todo o espectro da indústria, incluindo artistas, produtores, agentes, equipe de selos, jornalistas e tecnólogos, o que faz dela uma das redes mais interdisciplinares do setor.
Ela existe para criar conexões entre as mulheres na indústria musical. Seus eventos, que vão de reuniões locais a encontros com grandes nomes do setor, criam espaços onde os profissionais da música podem trocar conhecimento, colaborar e se apoiar de formas que a indústria raramente permite. A organização também administra programas de mentoria, organiza palestras e painéis, e publica pesquisas sobre equidade de gênero.
Women in CTRL
A Women in CTRL é uma iniciativa nascida no Reino Unido que tem como objetivo central aumentar a representação de mulheres e meninas na produção musical e na indústria criativa como um todo. Por meio de workshops, eventos e mentoria, ela conecta produtoras e criadoras iniciantes a profissionais experientes, oferecendo orientação prática e uma visão mais concreta de como é a carreira na produção.
Com foco na visibilidade, afinal é difícil se imaginar em um lugar em que você nunca se viu representada, a Women in CTRL busca transformar a cultura da produção musical ao promover essas profissionais e conectá-las à próxima geração.
The F-List
A F-List é um diretório de artistas mulheres e de minorias de gênero com base no Reino Unido que abrange uma variedade de estilos musicais, incluindo clássico, jazz, punk, eletrônico, entre outros. Seu propósito é simplesmente tornar o talento feminino impossível de ignorar.
Agentes, promotores, programadores de festivais e supervisores musicais podem usar o banco de dados para encontrar profissionais para shows, oportunidades de licenciamento e eventos. Para as artistas, entrar nessa lista aumenta a visibilidade dentro de círculos profissionais, onde a descoberta geralmente acontece por meio desse tipo de busca informal. Em uma indústria em que as oportunidades dependem de quem conhece seu trabalho, a The F-List é mais valiosa do que parece.Formação técnica
SoundGirls
A SoundGirls é uma organização sem fins lucrativos dedicada a capacitar mulheres e pessoas de minorias de gênero que trabalham com áudio e produção musical. Fundada em 2013, a iniciativa cresceu e se tornou uma rede global que oferece mentoria, bolsas, listas de empregos e acesso a uma comunidade de profissionais de som ao vivo, gravação, transmissão e pós-produção.
Para artistas independentes que buscam produzir sua própria música, ou para aqueles considerando uma carreira nos bastidores, a SoundGirls é um dos pontos de entrada mais práticos e acolhedores disponíveis. Seus recursos são genuinamente úteis em todos os estágios, seja você iniciante ou um profissional em transição de carreira. Há um forte senso de comunidade, e a organização está presente em dezenas de países.
Women's Audio Mission
Com sede em San Francisco, a Women’s Audio Mission (WAM) é um estúdio e centro de formação sem fins lucrativos, criado por e para mulheres, meninas e pessoas de gênero diverso. Seus programas vão de workshops básicos de produção musical para jovens a formações profissionais em engenharia de áudio e prática de estúdio.
A WAM se diferencia pela forma como une infraestrutura e formação. O acesso a um estúdio real muda a forma de aprender, abre caminhos e cria novas oportunidades. Desde a sua criação, a iniciativa já formou milhares de mulheres e meninas, muitas delas hoje atuando em gravação, som ao vivo e tecnologia musical. A WAM é a prova do que acontece quando o acesso deixa de ser privilégio.
Iniciativas educacionais
Girls Rock Camp Alliance
As organizações de defesa de direitos pressionam a indústria. Os grupos de networking apoiam as mulheres que já estão no mercado. A Girls Rock Camp Alliance (GRCA) vem fazendo um trabalho com essa mesma importância junto às jovens artistas que estão apenas começando
Fundada para apoiar e conectar meninas, mulheres e jovens de gênero diverso com a música, o trabalho da GRCA tem início antes mesmo de uma carreira musical começar. Em suas atividades, os participantes aprendem a tocar instrumentos, formam bandas, compõe e se apresentam, muitas vezes, tudo em apenas uma semana.
O objetivo não é apenas proporcionar acesso à educação musical, mas também ajudar a desenvolver a confiança, promover o senso de comunidade e oferecer a experiência de subir no palco e se fazer ouvir. Com atuação na América do Norte, Europa, América Latina e outras regiões, o modelo da GRCA provou ser altamente escalável e com efeitos duradouros. Para muitas mulheres que hoje atuam na música, foi em um Girls Rock Camp que tudo começou.
Iniciativas regionais e de base que causam impacto
female:pressure
A female:pressure é uma rede de artistas mulheres, não-binárias e transgênero que trabalham com música eletrônica e na cena dos clubes e festivais. Fundada em 1998, em Viena, é uma das comunidades mais antigas que se tornou uma referência fundamental para qualquer conversa sobre equidade de gênero na música.
O relatório anual FACTS, que pesquisa a representação de gênero nas programações dos festivais de música eletrônica em todo o mundo, expôs o papel de promotores e agentes em uma cena que muitas vezes se apresenta como progressista, mas que ainda fica para trás em termos de representatividade. A female:pressure é uma comunidade na qual artistas de diferentes gerações e origens se conectam, compartilham recursos e apoiam o trabalho umas das outras.
Femme Africa
A Femme Africa é uma plataforma dedicada a celebrar as vozes das mulheres africanas, com foco crescente na música. Operando em vários países africanos, a iniciativa trabalha para aumentar a visibilidade das artistas, fornecer recursos de desenvolvimento profissional e construir conexões entre mulheres que trabalham no mercado musical e na economia criativa.
Em contextos nos quais a desigualdade de gênero se mistura com barreiras econômicas, problemas de infraestrutura e acesso limitado a mercados internacionais, plataformas como a Femme Africa têm um papel fundamental não apenas na defesa de direitos, mas também como sistemas de apoio prático as artistas que tentantam construir suas carreiras em condições desafiadoras.
Music In Africa Foundation
A Music In Africa Foundation é uma organização pan-africana que apoia o desenvolvimento do setor musical no continente por meio de pesquisa, compartilhamento de informações e formação. Embora sua atuação seja ampla, a fundação vem dando cada vez mais prioridade à equidade de gênero em suas atividades, reconhecendo que as mulheres africanas enfrentam múltiplas barreiras para participar da indústria da música e ter seu trabalho reconhecido.
Por meio da publicações de pesquisas, eventos e programas de formação profissional, a fundação contribui para construir um panorama mais completo e inclusivo da música africana, que reflita toda a diversidade de vozes que a compõem.
Como artistas independentes podem participar desse movimento
Se você está conduzindo sua carreira por conta própria, a boa notícia é que muitas dessas organizações acolhem artistas em todas as etapas da jornada profissional.
1. Participe de redes profissionais
A participação em organizações como Women in Music, shesaid.so e SoundGirls costuma ser gratuita ou de baixo custo. Ao entrar, você passa a ter acesso a comunidades, recursos profissionais, eventos e oportunidades de trabalho que nem sempre aparecem nos canais tradicionais da indústria.
2. Candidate-se a oportunidades de financiamento
Os programas de incentivo costumam ter datas de inscrição fixas, geralmente uma ou duas vezes por ano, então vale se preparar com antecedência. Leia os critérios com atenção, personalize sua candidatura e deixe claro como o apoio vai contribuir para o seu desenvolvimento artístico e profissional.
3. Participe de programas de mentoria
As mentorias são valiosas em qualquer fase da carreira. Muitos programas se concentram em desafios práticos, como produção, licenciamento, turnês e construção de uma renda sustentável. Encare essa oportunidade como uma relação de longo prazo: prepare-se, faça boas perguntas e mantenha contato com seus mentores depois.
4. Utilize bancos de dados de artistas e plataformas de visibilidade
Facilite a descoberta do seu trabalho. Cadastre seu perfil em bancos de dados com os da She Is the Music e da The F-List. Eles são acessados por por selos, agentes e supervisores musicais em busca de novos talentos
5. Participe de conferências e encontros do setor
Eventos promovidos por organizações como a shesaid.so e a female:pressure criam espaços em que as relações profissionais podem se desenvolver de forma mais consistente. Participar com curiosidade, contribuir para as conversas e manter o contato ao longo do tempo pode gerar colaborações e oportunidades
Se você gerencia sua própria distribuição, marketing e direitos, se conectar a esses ecossistemas pode ampliar sua estrutura profissional de formas que o caminho tradicional via gravadoras não oferece mais.
Conclusão
A indústria da música não vai mudar por conta própria. Em geral, as transformações são fruto de um esforço contínuo de artistas, ativistas e organizações que buscam rever consistentemente a forma como as oportunidades são criadas e distribuídas.
Para artistas independentes, essas iniciativas vão muito além do apoio simbólico. Elas oferecem ferramentas práticas, redes de contato, capacitação e recursos que podem fazer diferença no desenvolvimento da carreira a longo prazo.
As mudanças não são rápidas. Mas a cada instituição que se compromete com a equidade de gênero e se propõe a colaborar, o setor dá mais um passo na direção de uma realidade em que a representatividade deixa de ser um privilégio e passa a ser a norma, fazendo com que mais vozes criativas possam, enfim, ser ouvidas.
Para saber mais sobre como a representação de gênero vêm evoluindo em diferentes partes da indústria musical, explore nossos artigos sobre o programa EQUAL do Spotify e as iniciativas voltadas às mulheres na música da Deezer.
FAQs
Martina é uma jornalista musical e especialista em conteúdo digital, baseada em Berlim. Começou a tocar violino aos seis anos e passou uma década imersa na música clássica. Hoje, escreve sobre tudo relacionado à música, com interesse especial pelas complexidades da indústria musical e das plataformas de streaming, e em formas de promover uma remuneração justa para os artistas.